sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Ano Novo
Para o mundo cristão, inicia-se hoje mais um ano novo, e o 1º de Janeiro é conhecido como o "Dia da Confraternização dos Povos".
Este ideal é sublime, mas infelizmente os fatos cotidianos demonstram, claramente, que estamos muito longe de alcançar este belo desiderato. Mesmo sem ser pessimistas, olhando ao nosso redor concluímos que a humanidade está muito afastada da confraternização preconizada pelo nosso Salvador.
O ocaso de um velho ano e o despontar de um novo, nos levam a vibrar de contentamento, almejando dias muito melhores.
A frase mais ouvida e mais proferida neste dia é esta: "Feliz ano novo". Sem dúvida é uma sugestiva saudação, mas para sermos felizes há requisitos que devem ser cumpridos, sendo o principal, palmilhar o caminho com Cristo ao nosso lado. O relato que se segue, foi escrito, ou melhor adaptado por mim, há mais de 20 anos, sem haver anotado a fonte inspiradora.
Os anos de nossa vida podem ser comparados a livros, um dos quais se abre hoje, com 12 capítulos, perfazendo 365 páginas, cada uma com 24 linhas.
A diferença primordial, entre um livro comum e o livro figurado, que desejo apresentar-vos, neste momento, é esta: suas páginas estão em branco.
Cada um de nós tem que escolher o que vai escrever neste livro durante este ano.
Se cada página tem 24 linhas, que são as horas, em cada linha devemos escrever 60 palavras, cada uma correspondendo a um minuto.
Peçamos a Deus, que todos cheguemos à página 365, no dia 31 de dezembro. É possível que para alguém a tinta se extinga durante o ano, e se isto acontecer não é possível substituí-la por outra, desde que a tinta é nossa vida.
Para escrever temos que escolher as palavras que expressarão nossas idéias. As palavras neste livro especial que estamos apresentando são os atos, as ações da nossa vida.
Toda a pessoa que escreve tem um estilo próprio, distinto dos demais.
Em literatura damos o nome de estilista ao escritor que redige tão bem que merece ser imitado por outro. É nosso estilo de vida tão bom que pode servir de modelo para outros? Paulo disse: "Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo". I Cor. 11:1. Nosso estilo será vigoroso e agradável se imitarmos um bom modelo. O modelo perfeito a ser imitado no livro da vida é o deixado pelo grande Mestre – Jesus Cristo.
Se estilo é a maneira própria, pessoal, de cada pessoa redigir, no livro que hoje começaremos escrever, o estilo será a maneira como viveremos este ano.
A caneta é o instrumento que se usa para escrever. Quais os instrumentos usados para escrever no livro da vida? Boca, ouvidos, nariz, olhos e mãos. Como usaremos estes instrumentos para que o escrito seja agradável e de utilidade àqueles que o lerem?
Como foi o livro que ontem terminamos?
Que ficou escrito nele?
Boas ações?
Trabalho para Cristo?
Obediência aos reclamos divinos?
Amor ao próximo?
Desprendimento dos bens materiais?
Formamos bem o caráter?
Ou quem sabe apenas ficaram registrados palavras inconvenientes, atos egoístas, descuido no cumprimento dos deveres diários.
Fazendo um retrospecto à vida espiritual, que inscrições ali se encontram?
Apatia na vida religiosa, como deixar de ir à igreja, negligência na oração e no estudo da Bíblia?
Prática de ações inconvenientes, deixando páginas indignas de serem voltadas porque delas temos vergonha?
Como foram usadas as linhas, que são as horas, durante o ano que se finda? Aproveitadas em empreendimentos nobres e elevados ou gastas em coisas inúteis?
Se o livro que terminou ontem foi bem escrito, ele deve ser aperfeiçoado nesta nova edição. Se não foi, deve ser tirado de circulação e o volume deste ano deve ter uma orientação totalmente diferente.
Quem escreve deve cuidar com os rabiscos e borrões. Nossas redações devem ser corrigidas e passadas a limpo antes de serem entregues ao professor.
Na escola da vida, rabiscos e borrões são as falhas do nosso procedimento. Os erros do caráter precisam ser tirados de nós, através do sangue purificador de Cristo, antes da vida ser entregue ao Mestre dos mestres – o nosso Deus.
Se nossos trabalhos escritos necessitam dos sinais de pontuação, estabelecidos como pausas que nos esclarecem na boa compreensão das idéias, de maneira idêntica, no livro da vida também devem existir sinais de pontuação, ou pausas que devemos fazer em nossos atos, para concluir se eles são corretos ou não. Estas pausas na vida religiosa seriam os momentos de reflexão ou meditação.
Há livros, cujos autores se esmeraram tanto em seu aperfeiçoamento que eles permanecem para sempre. Este mesmo ideal de perfeição deve haver no livro que estamos escrevendo, para termos direito à vida eterna.
As palavras seguintes de Ellen G. White são muito oportunas para este momento:
"Ao entrardes em novo ano, fazei-o com a sincera resolução de vos dirigirdes para a frente e para cima. Seja vossa vida mais elevada e exaltada do que o foi até aqui. Não permitais que vosso alvo seja buscar vossos próprios interesses e prazeres, mas avançai na causa de vosso Redentor. Não permaneçais numa posição em que sempre necessitais servir-vos, e onde outros vos precisarão ajudar a conservar-vos no caminho estreito. Deveis ser fortes para exercerdes influência santificadora sobre outros. Podeis estar onde o interesse de vossa alma seja levado a fazer o bem aos outros, a confortar os tristes, a fortalecer o fraco, e a dar vosso testemunho em favor de Cristo onde quer que se vos ofereça uma oportunidade. Tende o alvo de em tudo, sempre, e em qualquer lugar honrar a Deus. Fazei com que vossa religião esteja em tudo". – Testimonies, Vol. II, págs. 261 e 262.
Nosso apelo é para que escrevamos nas páginas do livro da nossa existência, no ano de ....., coisas tão dignas e elevadas, que os anjos possam transcrevê-las para o memorial das boas ações, que se encontra nos Céus, e que nosso nome permaneça no Livro da Vida, descrito por João em Apoc. 13:8; 17:8 e 20:12.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
O declínio da igreja da bispa Sônia
A líder evangélica enfrenta a decadência de sua Renascer em Cristo, que já fechou 70% dos templos, a doença do filho e sucessor natural, em coma há dois anos, e os processos na Justiça por formação de quadrilha e estelionato
“É difícil pensar em alguém menos apropriado que a bispa Sônia para escrever um livro intitulado ‘Vivendo de Bem com a Vida’.” A frase é de um ex-bispo que foi do alto escalão da Igreja Renascer em Cristo por mais de uma década e sintetiza o momento da instituição neopentecostal brasileira liderada pelo casal Sônia, 52 anos, e Estevam Hernandes, 57. No ano em que comemora um quarto de século, a denominação, tida como a grande promessa evangélica dos anos 1990, dá sinais claros de que está em franca decadência. Com cisões internas, uma complicada crise sucessória, um crescente número de lideranças migrando para outras denominações, templos fechados por falta de pagamento de aluguel e um sem-número de indenizações a serem pagas num futuro próximo, as perspectivas não são nada boas. “O futuro da igreja está nas mãos de Deus”, disse a bispa em entrevista exclusiva à ISTOÉ.
O livro “Vivendo de Bem com a Vida” (Ed. Thomas Nelson), que narra parte da trajetória desta que ainda é uma das figuras femininas de maior peso do movimento neopentecostal brasileiro, será lançado oficialmente no sábado 10, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Com tom professoral e confessional, o título já vendeu as 17 mil cópias da primeira impressão e está a caminho de esgotar as dez mil da segunda, uma raridade para o mercado editorial brasileiro. Parte desse quinhão será oferecida para os fiéis nos templos da Renascer a preços bem acima da média. “Quero cinco pagando R$ 300 por cada um destes livros até o final do culto”, anunciarão os bispos, como já fazem com os CDs, DVDs e livros nos templos da instituição. Tudo para aumentar a arrecadação do grupo. “A sede deles por dinheiro é absolutamente insaciável e está destruindo a igreja”, afirma o ex-bispo.
NOS EUA: Presa com dólares na “Bíblia”. Acima, a mansão em Miami
Sede essa que não é mais condizente com a estrutura encolhida que a igreja tem hoje. Em 2002, a Renascer em Cristo contava com 1.100 templos espalhados pelo Brasil e o mundo. Atualmente são pouco mais de 300. O líder que poderia imprimir agilidade à administração, o bispo Tid, primogênito de Estevam e Sônia que sempre teve saúde frágil, está em coma profundo há quase dois anos num leito de hospital. Da equipe de aproximadamente 100 bispos de primeiro time que a denominação tinha espalhada pelo Brasil até 2008, metade saiu para outras igrejas levando consigo pastores, diáconos e presbíteros. Para o lugar deles, ascenderam profissionais com menos experiência, o que, especula-se, pode ser um dos motivos da debandada de fiéis.
Quem acompanha a bispa hoje, porém, pode até acreditar que ela viva de bem com a vida, como diz o título de seu livro. Com um salário que gira em torno dos R$ 100 mil, ela continua com programas televisivos e de rádio diários, se veste com as mais exclusivas grifes e está sempre adornada com joias e relógios caros. Do apartamento triplex onde mora, em um bairro nobre na zona centro-sul da capital paulistana, ela sai pela cidade para cumprir suas obrigações de carro importado, blindado e escoltada por dois seguranças. Isso quando não usa um helicóptero avaliado em R$ 2,5 milhões para visitar seus sítios e haras no interior paulista. Mas que o observador não se engane. A riqueza que ela ostenta hoje não tem a retaguarda do começo dos anos 2000, quando a Renascer nadava de braçada no mar do crescente movimento evangélico brasileiro. “Hoje os Hernandes sangram a igreja para dar sobrevida ao padrão de vida nababesco que têm”, acusa um dissidente. Se nos anos 1990 a opulência do casal servia de chamariz para os adeptos da teologia da prosperidade, que celebra a riqueza material como uma dádiva proporcional ao fervor com que o devoto professa sua fé, hoje ela é uma ameaça à sobrevivência da instituição.
Mas como uma neopentecostal de envergadura internacional, que trouxe eventos gigantescos ao País, como a Marcha para Jesus, capaz de arregimentar 3,5 milhões de pessoas na capital paulista num único dia, e criou marcas de imenso sucesso como o Renascer Praise – o maior show de música gospel do Brasil, com mais de 15 edições –, entrou numa espiral descendente e, aparentemente, irreversível, de prestígio e credibilidade? Por que uma líder tão carismática como Sônia Hernandes perdeu apelo tão rápido? Dois eventos, próximos um do outro, desencadearam a derrocada da instituição. O primeiro começou na madrugada do dia 14 de janeiro de 2007, uma terça-feira. A caminho de Miami, nos Estados Unidos, Sônia, Estevam, dois filhos e três netos embarcaram na primeira classe de um voo levando US$ 56.467 em dinheiro. Ao pousar, tentaram passar pela alfândega americana sem declarar o valor. Foram pegos, presos, admitiram a culpa e cumpriram pena de reclusão em regime fechado e semi-aberto. Na época veio a público a informação de que parte da quantia foi encontrada dentro de uma “Bíblia”.
O impacto na igreja por aqui foi de nítido enfraquecimento. Segundo o professor Paulo Romeiro, da pós-graduação em ciências da religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, casos como esse podem até reforçar os laços de quem tem vínculos exclusivamente emocionais com a instituição. Mas para o fiel pragmático – cada vez mais presente no rol de devotos, como bem mostra a alta no trânsito religioso entre denominações – a força de um caso desse pode ser devastadora. Somada às acusações de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato feitas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), que vieram a público em 2007, a prisão nos Estados Unidos potencializou as incertezas dos fiéis. “Eles perderam a confiança do rebanho”, garante outro dissidente. Em 2008, o reflexo da debandada chegou aos cofres da instituição. Naquele ano, como arrecadou menos, a dívida com aluguéis de imóveis bateu os R$ 7 milhões.
Pouco depois, enquanto o casal ainda cumpria pena nos Estados Unidos, veio o segundo baque. Em 18 de janeiro de 2009 o telhado da sede da Renascer, na avenida Lins de Vasconcelos, no Cambuci, área central de São Paulo, desabou. No espaço onde boa parte dos cultos era filmada e transmitida, nove pessoas morreram e 117 ficaram feridas. Um laudo preliminar apontou como causa do acidente problemas de conservação e manutenção da estrutura. Dois anos e oito meses após a tragédia, ninguém foi formalmente indenizado. Em pelo menos dez processos, a igreja foi condenada a pagar valores aos fiéis e parentes das vítimas fatais que variam entre R$ 10 mil e R$ 150 mil. Mas os representantes da entidade recorreram de todas as decisões de primeira instância. Somente o advogado Ademar Gomes promove 37 ações de indenização. “A responsabilidade da igreja em relação ao que aconteceu já está comprovada pelos laudos técnicos do Instituto de Criminalística.” O professor de inglês Juris Megnis Júnior, 43 anos, perdeu a mãe, Maria Amélia de Almeida, 60, e a avó Acir Alves da Silva, 79. Sem chance de escapar dos escombros, elas morreram abraçadas. “Não há um dia em que não pense nisso. Nada vai reparar”, afirma. Dirigentes da Renascer respondem criminalmente e na área cível pelo caso em dois processos, que ainda não têm perspectiva de desfecho.
Com a credibilidade abalada, a frequência nas igrejas e a arrecadação caíram ainda mais. Nas reuniões com o bispado nessa época, que aconteciam às terças-feiras, para rever os resultados da semana anterior, as humilhações se multiplicaram. Se antes Estevam e Sônia maltratavam os bispos que não atingiam as metas, agora, dos Estados Unidos, as broncas vinham por videoconferência, com muito mais veemência. “As reuniões sempre foram um massacre”, lembra um dissidente. “Mas, com eles nos Estados Unidos, as coisas pioraram, embora um time de bispos daqui, junto com o filho do casal, o bispo Tid, tenha articulado um saneamento nas contas da instituição.”
Quando o plano começou a dar resultados, em agosto de 2009, Tid, ou Felippe Daniel Hernandes, precisou fazer uma operação para reparar uma cirurgia de redução de estômago malsucedida. Durante o procedimento, ele teve uma parada cardiorrespiratória que causou um edema cerebral, comprometendo o funcionamento do órgão e, para todos os efeitos, interditando Tid, que passou a viver em estado vegetativo. A fatalidade, terrível para qualquer família, foi ainda pior para os Hernandes, que tinham no filho um sucessor natural preparado para assumir a Renascer quando Sônia e Estevam se aposentassem. O futuro de uma igreja que já se arrastava ficou ainda mais incerto. Embora na instituição ainda se fale em um milagre, para os médicos, o coma do herdeiro, hoje com atividade neurológica quase nula, é irreversível. Sônia é vista quase diariamente visitando o filho na ala de tratamento semi-intensivo do Hospital Albert Einstein. Muitas vezes a visita é feita tarde da noite, depois dos cultos. Quando Tid precisa passar por qualquer procedimento, como foi o caso na semana do dia 5 de setembro, momento em que trocou uma sonda de alimentação, a bispa para tudo para ficar ao lado do primogênito.
DESFALQUE: A saída do casal Kaká e Caroline Celico, abaixo com Estevam e Sônia, da Renascer representou um baque e tanto à instituição: eram os principais dizimistas
Em meados de 2009, foi o agravamento do estado de Tid que adiantou a volta do casal dos Estados Unidos. A Justiça americana autorizou o retorno 15 dias antes do fim da sentença, no começo de agosto, para que os pais estivessem no Brasil, caso o estado de saúde do filho piorasse. O retorno marcou uma piora na instituição. O saneamento das contas foi interrompido de vez e a torneira voltou a se abrir para bancar os gastos de Estevam e Sônia. “Não podíamos tirar da contagem nem o dinheiro para pagar o papel higiênico, que dirá o aluguel do templo”, diz um bispo sobre a época que sucedeu o retorno do casal. Contagem é o nome dado pelos religiosos para o procedimento que acontece logo depois do culto, quando as doações são somadas. “Tínhamos que remeter tudo direto para a sede.” Com o aluguel atrasado em diversos locais, a igreja começou a receber ordens de despejo. Em levantamento de dezembro de 2010 feito pelo site Folha Renascer, uma espécie de fórum aberto sobre assuntos ligados à igreja dos Hernandes, 29 templos aparecem com a ordem registrada por falta de pagamento de aluguel em nove foros paulistanos. Hoje com fama de má pagadora, a Renascer tem dificuldade de encontrar proprietários dispostos a tê-la como inquilina.
Foi também em 2010 que a igreja perdeu seu garoto-propaganda e principal dizimista, o jogador de futebol Kaká. Com a mulher, Caroline Celico, eles formavam uma dupla que fortalecia e divulgava a Renascer no Brasil e no mundo. O casal Hernandes não comenta a saída, muito menos o atleta do Real Madrid. Apenas Caroline arrisca alguns comentários enviesados. “Confiei no que me falavam. Parei de buscar as respostas de Deus para mim e comecei a andar de acordo com a interpretação dos homens”, escreveu ela em seu blog. O mau uso do dízimo pago pelo craque, que sabia do fechamento de templos e da fuga de lideranças, teria motivado o rompimento com a igreja. Foi um baque financeiro e tanto. Kaká é o sexto jogador mais bem pago do mundo e, estima-se, depositava nas contas da Renascer 10% dos R$ 21 milhões anuais que recebia.
No fim, quem mais sofre é o fiel. Sua religiosidade acaba envolvida, marginal e injustamente, em questões pouco sagradas. Os evangélicos têm todo o direito de pagar o dízimo e as igrejas de recolhê-lo. O problema é quando o dinheiro desaparece dos templos para reaparecer em forma de ternos, sapatos, brincos e anéis de lideranças pouco comprometidas com a fé. “Estamos nos trâmites finais do processo, em primeira instância, que acusa tanto Estevam quanto Sônia por dissimulação de patrimônio, também conhecida como lavagem de dinheiro”, diz o promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco-SP), Arthur Lemos Júnior. O casal costuma atribuir as acusações à perseguição ou à ação de forças malignas. Até meados dos anos 2000 esse discurso tinha algum efeito. Hoje, porém, as coisas mudaram. “A Renascer nunca mais será o que foi”, sentencia Romeiro. Será difícil honrar seu nome de batismo”.
“É difícil pensar em alguém menos apropriado que a bispa Sônia para escrever um livro intitulado ‘Vivendo de Bem com a Vida’.” A frase é de um ex-bispo que foi do alto escalão da Igreja Renascer em Cristo por mais de uma década e sintetiza o momento da instituição neopentecostal brasileira liderada pelo casal Sônia, 52 anos, e Estevam Hernandes, 57. No ano em que comemora um quarto de século, a denominação, tida como a grande promessa evangélica dos anos 1990, dá sinais claros de que está em franca decadência. Com cisões internas, uma complicada crise sucessória, um crescente número de lideranças migrando para outras denominações, templos fechados por falta de pagamento de aluguel e um sem-número de indenizações a serem pagas num futuro próximo, as perspectivas não são nada boas. “O futuro da igreja está nas mãos de Deus”, disse a bispa em entrevista exclusiva à ISTOÉ.
O livro “Vivendo de Bem com a Vida” (Ed. Thomas Nelson), que narra parte da trajetória desta que ainda é uma das figuras femininas de maior peso do movimento neopentecostal brasileiro, será lançado oficialmente no sábado 10, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Com tom professoral e confessional, o título já vendeu as 17 mil cópias da primeira impressão e está a caminho de esgotar as dez mil da segunda, uma raridade para o mercado editorial brasileiro. Parte desse quinhão será oferecida para os fiéis nos templos da Renascer a preços bem acima da média. “Quero cinco pagando R$ 300 por cada um destes livros até o final do culto”, anunciarão os bispos, como já fazem com os CDs, DVDs e livros nos templos da instituição. Tudo para aumentar a arrecadação do grupo. “A sede deles por dinheiro é absolutamente insaciável e está destruindo a igreja”, afirma o ex-bispo.
NOS EUA: Presa com dólares na “Bíblia”. Acima, a mansão em Miami
Sede essa que não é mais condizente com a estrutura encolhida que a igreja tem hoje. Em 2002, a Renascer em Cristo contava com 1.100 templos espalhados pelo Brasil e o mundo. Atualmente são pouco mais de 300. O líder que poderia imprimir agilidade à administração, o bispo Tid, primogênito de Estevam e Sônia que sempre teve saúde frágil, está em coma profundo há quase dois anos num leito de hospital. Da equipe de aproximadamente 100 bispos de primeiro time que a denominação tinha espalhada pelo Brasil até 2008, metade saiu para outras igrejas levando consigo pastores, diáconos e presbíteros. Para o lugar deles, ascenderam profissionais com menos experiência, o que, especula-se, pode ser um dos motivos da debandada de fiéis.
Quem acompanha a bispa hoje, porém, pode até acreditar que ela viva de bem com a vida, como diz o título de seu livro. Com um salário que gira em torno dos R$ 100 mil, ela continua com programas televisivos e de rádio diários, se veste com as mais exclusivas grifes e está sempre adornada com joias e relógios caros. Do apartamento triplex onde mora, em um bairro nobre na zona centro-sul da capital paulistana, ela sai pela cidade para cumprir suas obrigações de carro importado, blindado e escoltada por dois seguranças. Isso quando não usa um helicóptero avaliado em R$ 2,5 milhões para visitar seus sítios e haras no interior paulista. Mas que o observador não se engane. A riqueza que ela ostenta hoje não tem a retaguarda do começo dos anos 2000, quando a Renascer nadava de braçada no mar do crescente movimento evangélico brasileiro. “Hoje os Hernandes sangram a igreja para dar sobrevida ao padrão de vida nababesco que têm”, acusa um dissidente. Se nos anos 1990 a opulência do casal servia de chamariz para os adeptos da teologia da prosperidade, que celebra a riqueza material como uma dádiva proporcional ao fervor com que o devoto professa sua fé, hoje ela é uma ameaça à sobrevivência da instituição.
Mas como uma neopentecostal de envergadura internacional, que trouxe eventos gigantescos ao País, como a Marcha para Jesus, capaz de arregimentar 3,5 milhões de pessoas na capital paulista num único dia, e criou marcas de imenso sucesso como o Renascer Praise – o maior show de música gospel do Brasil, com mais de 15 edições –, entrou numa espiral descendente e, aparentemente, irreversível, de prestígio e credibilidade? Por que uma líder tão carismática como Sônia Hernandes perdeu apelo tão rápido? Dois eventos, próximos um do outro, desencadearam a derrocada da instituição. O primeiro começou na madrugada do dia 14 de janeiro de 2007, uma terça-feira. A caminho de Miami, nos Estados Unidos, Sônia, Estevam, dois filhos e três netos embarcaram na primeira classe de um voo levando US$ 56.467 em dinheiro. Ao pousar, tentaram passar pela alfândega americana sem declarar o valor. Foram pegos, presos, admitiram a culpa e cumpriram pena de reclusão em regime fechado e semi-aberto. Na época veio a público a informação de que parte da quantia foi encontrada dentro de uma “Bíblia”.
O impacto na igreja por aqui foi de nítido enfraquecimento. Segundo o professor Paulo Romeiro, da pós-graduação em ciências da religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, casos como esse podem até reforçar os laços de quem tem vínculos exclusivamente emocionais com a instituição. Mas para o fiel pragmático – cada vez mais presente no rol de devotos, como bem mostra a alta no trânsito religioso entre denominações – a força de um caso desse pode ser devastadora. Somada às acusações de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e estelionato feitas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), que vieram a público em 2007, a prisão nos Estados Unidos potencializou as incertezas dos fiéis. “Eles perderam a confiança do rebanho”, garante outro dissidente. Em 2008, o reflexo da debandada chegou aos cofres da instituição. Naquele ano, como arrecadou menos, a dívida com aluguéis de imóveis bateu os R$ 7 milhões.
Pouco depois, enquanto o casal ainda cumpria pena nos Estados Unidos, veio o segundo baque. Em 18 de janeiro de 2009 o telhado da sede da Renascer, na avenida Lins de Vasconcelos, no Cambuci, área central de São Paulo, desabou. No espaço onde boa parte dos cultos era filmada e transmitida, nove pessoas morreram e 117 ficaram feridas. Um laudo preliminar apontou como causa do acidente problemas de conservação e manutenção da estrutura. Dois anos e oito meses após a tragédia, ninguém foi formalmente indenizado. Em pelo menos dez processos, a igreja foi condenada a pagar valores aos fiéis e parentes das vítimas fatais que variam entre R$ 10 mil e R$ 150 mil. Mas os representantes da entidade recorreram de todas as decisões de primeira instância. Somente o advogado Ademar Gomes promove 37 ações de indenização. “A responsabilidade da igreja em relação ao que aconteceu já está comprovada pelos laudos técnicos do Instituto de Criminalística.” O professor de inglês Juris Megnis Júnior, 43 anos, perdeu a mãe, Maria Amélia de Almeida, 60, e a avó Acir Alves da Silva, 79. Sem chance de escapar dos escombros, elas morreram abraçadas. “Não há um dia em que não pense nisso. Nada vai reparar”, afirma. Dirigentes da Renascer respondem criminalmente e na área cível pelo caso em dois processos, que ainda não têm perspectiva de desfecho.
Com a credibilidade abalada, a frequência nas igrejas e a arrecadação caíram ainda mais. Nas reuniões com o bispado nessa época, que aconteciam às terças-feiras, para rever os resultados da semana anterior, as humilhações se multiplicaram. Se antes Estevam e Sônia maltratavam os bispos que não atingiam as metas, agora, dos Estados Unidos, as broncas vinham por videoconferência, com muito mais veemência. “As reuniões sempre foram um massacre”, lembra um dissidente. “Mas, com eles nos Estados Unidos, as coisas pioraram, embora um time de bispos daqui, junto com o filho do casal, o bispo Tid, tenha articulado um saneamento nas contas da instituição.”
Quando o plano começou a dar resultados, em agosto de 2009, Tid, ou Felippe Daniel Hernandes, precisou fazer uma operação para reparar uma cirurgia de redução de estômago malsucedida. Durante o procedimento, ele teve uma parada cardiorrespiratória que causou um edema cerebral, comprometendo o funcionamento do órgão e, para todos os efeitos, interditando Tid, que passou a viver em estado vegetativo. A fatalidade, terrível para qualquer família, foi ainda pior para os Hernandes, que tinham no filho um sucessor natural preparado para assumir a Renascer quando Sônia e Estevam se aposentassem. O futuro de uma igreja que já se arrastava ficou ainda mais incerto. Embora na instituição ainda se fale em um milagre, para os médicos, o coma do herdeiro, hoje com atividade neurológica quase nula, é irreversível. Sônia é vista quase diariamente visitando o filho na ala de tratamento semi-intensivo do Hospital Albert Einstein. Muitas vezes a visita é feita tarde da noite, depois dos cultos. Quando Tid precisa passar por qualquer procedimento, como foi o caso na semana do dia 5 de setembro, momento em que trocou uma sonda de alimentação, a bispa para tudo para ficar ao lado do primogênito.
DESFALQUE: A saída do casal Kaká e Caroline Celico, abaixo com Estevam e Sônia, da Renascer representou um baque e tanto à instituição: eram os principais dizimistas
Em meados de 2009, foi o agravamento do estado de Tid que adiantou a volta do casal dos Estados Unidos. A Justiça americana autorizou o retorno 15 dias antes do fim da sentença, no começo de agosto, para que os pais estivessem no Brasil, caso o estado de saúde do filho piorasse. O retorno marcou uma piora na instituição. O saneamento das contas foi interrompido de vez e a torneira voltou a se abrir para bancar os gastos de Estevam e Sônia. “Não podíamos tirar da contagem nem o dinheiro para pagar o papel higiênico, que dirá o aluguel do templo”, diz um bispo sobre a época que sucedeu o retorno do casal. Contagem é o nome dado pelos religiosos para o procedimento que acontece logo depois do culto, quando as doações são somadas. “Tínhamos que remeter tudo direto para a sede.” Com o aluguel atrasado em diversos locais, a igreja começou a receber ordens de despejo. Em levantamento de dezembro de 2010 feito pelo site Folha Renascer, uma espécie de fórum aberto sobre assuntos ligados à igreja dos Hernandes, 29 templos aparecem com a ordem registrada por falta de pagamento de aluguel em nove foros paulistanos. Hoje com fama de má pagadora, a Renascer tem dificuldade de encontrar proprietários dispostos a tê-la como inquilina.
Foi também em 2010 que a igreja perdeu seu garoto-propaganda e principal dizimista, o jogador de futebol Kaká. Com a mulher, Caroline Celico, eles formavam uma dupla que fortalecia e divulgava a Renascer no Brasil e no mundo. O casal Hernandes não comenta a saída, muito menos o atleta do Real Madrid. Apenas Caroline arrisca alguns comentários enviesados. “Confiei no que me falavam. Parei de buscar as respostas de Deus para mim e comecei a andar de acordo com a interpretação dos homens”, escreveu ela em seu blog. O mau uso do dízimo pago pelo craque, que sabia do fechamento de templos e da fuga de lideranças, teria motivado o rompimento com a igreja. Foi um baque financeiro e tanto. Kaká é o sexto jogador mais bem pago do mundo e, estima-se, depositava nas contas da Renascer 10% dos R$ 21 milhões anuais que recebia.
No fim, quem mais sofre é o fiel. Sua religiosidade acaba envolvida, marginal e injustamente, em questões pouco sagradas. Os evangélicos têm todo o direito de pagar o dízimo e as igrejas de recolhê-lo. O problema é quando o dinheiro desaparece dos templos para reaparecer em forma de ternos, sapatos, brincos e anéis de lideranças pouco comprometidas com a fé. “Estamos nos trâmites finais do processo, em primeira instância, que acusa tanto Estevam quanto Sônia por dissimulação de patrimônio, também conhecida como lavagem de dinheiro”, diz o promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo (Gaeco-SP), Arthur Lemos Júnior. O casal costuma atribuir as acusações à perseguição ou à ação de forças malignas. Até meados dos anos 2000 esse discurso tinha algum efeito. Hoje, porém, as coisas mudaram. “A Renascer nunca mais será o que foi”, sentencia Romeiro. Será difícil honrar seu nome de batismo”.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Exageros da NASA e a festa da mídia
O site Inovação Tecnológica publicou um artigo muito bom (e franco) assinado por Agostinho Rosa. Segundo o autor, “talvez nenhum outro indicador mostre tão claramente o desespero da NASA [a agência espacial norte-americana] pela sobrevivência enquanto instituição quanto as suas recentes ‘revelações científicas’ bombásticas, sempre feitas em conferências anunciadas previamente a jornalistas do mundo inteiro. Acostumados a décadas de seriedade e estudos de ponta financiados pela agência norte-americana, vários jornalistas não têm tido o cuidado necessário para separar os novos frutos dos ‘frutos recauchutados’ e dos ‘possíveis-frutos-se-vocês-nos-derem-dinheiro-para-plantar-as-árvores’. Essa ansiedade pela mostra de resultados tem levado a NASA a promover anúncios de ‘descobertas científicas’ altamente polêmicas, seguidamente questionadas por vários grupos que não participam das pesquisas”.
Rosa recapitula que foi assim com a bactéria alienígena que respira arsênio, com as seguidas “descobertas” de água na Lua em volumes que chegaram a ser comparados aos oceanos da Terra, e com as seguidas “descobertas” de água em Marte, que têm acontecido cerca de duas vezes por ano.
A descoberta da vez diz respeito à presença de componentes de uma molécula de DNA em meteoritos, mas Rosa lembra que os chamados “blocos elementares” de uma molécula de DNA têm sido encontrados em meteoritos desde os anos 1960. Qual a novidade, então? “O mérito desse novo estudo é que os cientistas juntaram dois argumentos para descartar que o meteorito tenha sido contaminado depois de ter caído na Terra. Então, será que os anúncios anteriores não deveriam ter sido levados tão a sério?” Mas foram, como bem deve se lembrar quem leu as manchetes na época.
A maior crítica do articulista tem que ver com a forma como muitos órgãos de imprensa “traduziram” o estudo (simplesmente colocando as conclusões da pesquisa de forma taxativa demais) e com o caminho que vem tomando a busca pelas explicações da origem da vida. “Em termos puramente experimentais, a vida sempre foi um estorvo para a ciência”, diz Rosa, “se parecendo mais com uma anomalia contaminando um sistema mecanicamente muito bem engrenado.”
Para ele, é justamente por causa das dificuldades em se explicar a origem da vida aqui na Terra que a explicação para uma origem extraterrestre da vida “vem tanto a calhar”. “A procura pela origem da vida é um campo de pesquisa que vem sendo deixado praticamente de lado. Por ser complexo demais, talvez seja melhor abordá-lo aos poucos, estudando seus ‘blocos básicos’ um a um, na esperança de que o conhecimento das partes possa dar algum insight sobre a composição do todo”, revela.
E aqui está a estratégia naturalista mais bem explicada: “Ora, se pudermos dizer que a vida veio do espaço, isso nos dá um tempo precioso, já que o nosso acesso ao espaço é limitado demais para qualquer pesquisa que se queira séria. Isso tiraria de pauta qualquer necessidade de entendimento da origem da vida aqui na Terra, até hoje às voltas com uma incômoda teoria da geração espontânea, ou abiogênese. Aparentemente, os experimentos de Francesco Redi, feitos em 1668, não valem quando se considera um espaço grande o suficiente – como a Terra – em um tempo longo o suficiente – tudo parece possível desde que você possa lançar mão do largamente usado ‘argumento científico’ dos ‘ao longo de milhões de anos’.” Bingo!
E Rosa conclui assim: “A próxima discussão lógica seria considerar se, e como, esses blocos, emergindo onde quer que seja, se unem para formar a vida. Mas aí já é querer exigir da ciência acadêmica algo que ela não pode dar.”
Parabéns a Agostinho Rosa e ao site Inovação Tecnológica pela ousadia (e coragem) de publicar esse texto, indo na contramão da euforia midiática e dos repórteres que parecem não mais se dar ao trabalho de perguntar o que está nas entrelinhas das produções das agências de notícias internacionais.
Com relação à suposta origem espacial da vida, escrevi isto em meu livro A História da Vida (p. 39, 40): “Diante da tremenda dificuldade de demonstrar que a vida teria surgido sem a interferência de um ser sobrenatural, alguns cientistas propuseram uma hipótese que tem ganhado adeptos, graças ao seu poder de jogar o problema para outro campo. Trata-se da teoria da panspermia cósmica. A ideia é a de que ‘o aparecimento dos primeiros seres vivos na Terra veio dos cosmozoários, que seriam micro-organismos flutuantes no espaço cósmico. Mas existem provas concretas de que isso jamais poderia ter acontecido. Tais seres seriam destruídos pelos raios cósmicos e ultravioleta que varrem continuamente o espaço sideral’ (fonte). Isso sem contar que, se a radiação cósmica não desse conta do trabalho, o calor da entrada na atmosfera e o impacto do meteorito no qual os micro-organismos estivessem ‘embarcados’ os teria liquidado antes de terem a chance de ‘evoluir’ (como se isso também fosse fácil...). Como disse, essa hipótese é conveniente porque, se você perguntar como a vida começou em algum lugar do espaço, a resposta será: Não há como saber, pois não temos acesso ao campo de estudo. Então tá...”
Fonte:iasdemfoco.net
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Pescadores ou pescados – parte 2
O que há de pior na internet (e como se livrar disso)
Segundo Mark Hurd, presidente da empresa de informática Hewlett Packard, a quantidade de informações publicadas na web já é maior do que tudo o que foi produzido pela humanidade até agora em matéria de conhecimento. Precisaríamos de mil anos para receber o que se produz em um mês no mundo. A título de comparação, uma edição como a do jornal The New York Times contém mais informações do que uma pessoa comum poderia incorporar durante toda a existência dela, no século 17, nos Estados Unidos.
Vivemos na era da informação. Mas e a capacidade de processamento dessa informação? Esse excesso de informação tem criado o estresse digital (sentir-se dominado pelas tecnologias) e a ansiedade de informação (não dar conta de se atualizar). Além disso, tem contribuído para a Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA).
Uma característica básica da SPA é o cansaço físico. Por pensar excessivamente, os portadores dessa síndrome roubam energia do córtex cerebral. Essa energia deveria ser utilizada nos órgãos do corpo, como os músculos. Assim, sentem uma fadiga persistente.
No século 19, Ellen White já falava sobre energia mental e recomendava: “Muitos [...] têm sofrido por causa de excesso de trabalho mental sem o refrigério do exercício físico. O resultado é a debilitação de suas faculdades” (Evangelismo, p. 661). “Os [...] que se aplicam exclusivamente a trabalho mental [...] pelo confinamento prejudicam toda a estrutura viva. Cansa-se o cérebro, e Satanás insinua toda uma lista de tentações” (Mente, Caráter e Personalidade, v. 2, p. 507).
Mentes cansadas e fracas são fáceis de ser “pescadas”.
Pensamento rápido e utilitário
Nicholas Carr, em seu livro The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains, afirma que a facilidade para achar coisas novas na rede e se distrair com elas estaria nos tornando estúpidos. Diz ele: “A internet, sendo um sistema multimídia baseado em mensagens e interrupções, tem uma ética intelectual que valoriza certos tipos de pensamento utilitários, voltados para a solução de problemas, que encoraja as multitarefas e a rápida transmissão ou recepção de migalhas de informação. [...] A maneira de manter o modo mais contemplativo de pensamento é desconectar-se por um tempo substancial, reduzindo nossa dependência em relação às tecnologias de tela e exercendo nossa capacidade de prestar atenção profundamente em uma única coisa.”
Estudar a Bíblia e ler um bom livro, por exemplo.
Numa resenha do livro de Carr, publicada no jornal El País, o jornalista e escritor Mario Vargas Llosa escreveu: “Acostumados a picotar informações em seus computadores, sem ter necessidade de fazer prolongados esforços de concentração, [os alunos] têm perdido o hábito e a faculdade de [ler livros], e têm sido condicionados a contentar-se com esse borboleteio cognitivo a que os acostuma a internet, com suas infinitas conexões e saltos e complementos, de modo que estão ficando de certa forma vacinados contra o tipo de atenção, reflexão, paciência e prolongado abandono àquilo que se lê, e que é a única maneira de ler, desfrutando, a grande literatura.”
Pessoas incapazes de refletir e esgotadas são alvo fácil de Satanás. E ele está lá, na internet, “[andando] em derredor, rugindo como leão” (1 Pedro 5:8), oferecendo suas “distrações”.
Conselho divino: “Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus” (Salmo 46:10).
Principais perigos
Numa lista breve, os principais perigos da internet geralmente apontados são: (1) Contato com material impróprio (ex.: pornografia); (2) incitamento à violência e ao ódio; (3) violação da privacidade; (4) violação da lei; (5) encontros “online” com pessoas não recomendáveis; (6) perda de tempo precioso; e (7) pensamento utilitarista e superficial.
Na American Journal of Psychiatry de março de 2008, o Dr. Jerald J. Block comenta que a dependência da internet parece ser uma desordem mental que merece ser incluída na próxima edição da Classificação Internacional das Doenças usada nos EUA (DSM-V). O diagnóstico da desordem que engloba o uso compulsivo-impulsivo de computador consiste de três subtipos de vício: jogos excessivos, preocupações sexuais e mensagens tipo e-mail ou texto. E qualquer uma dessas modalidades de dependência tem em comum quatro componentes:
1. Uso excessivo, frequentemente associado com perda da noção do tempo ou negligência de necessidades básicas.
2. Abstinência, com sintomas de raiva, tensão e/ou depressão quando o computador está inacessível.
3. Tolerância, que inclui a necessidade de obter melhores computadores, melhores softwares ou mais horas de uso.
4. Repercussões negativas, incluindo argumentos, mentiras, isolamento social, pobres realizações e fadiga.
A dependência acomete, principalmente, os adolescentes, pois a maturação cerebral ocorre somente depois dos 21 anos. O córtex pré-frontal (localizado na região da testa) é a sede do pensamento, a sede do controle dos impulsos, e os jovens ainda não têm essa região plenamente amadurecida.
Os jovens precisam contar com a ajuda dos pais, é o que defendem Joe S. McIlhaney Jr. e Freda McKissic Bush, no ótimo livro ainda não traduzido Hooked: New Science on How Casual Sex is Affecting our Children. Eles dizem: “Fatores benéficos, tais como ambiente familiar e orientação de adultos, podem guiar um adolescente através desse tumultuado período de sua vida. [...] O cérebro dos adolescentes pode ser positivamente moldado pela orientação, estrutura e disciplina fornecidas por pais cuidadosos e outros adultos” (p. 19, 53).
Por isso, Alexandre Hohagen, presidente do Google para a América do Sul, disse: “Em casa, lugar de computador é na sala ou no corredor. Jamais em quartos isolados ou fechados.” Pais responsáveis devem cuidar dos filhos. E, para isso, devem se informar o quanto puderem sobre como cuidar deles. Um bom livro para isso é Como Proteger Seus Filhos na Internet, da editora Novo Conceito. Nele, o especialista na área de tecnologia e informação, Gregory S. Smith, dá boas dicas para os pais e mostra os perigos a que estão expostos os menores.
Smith compara: “Crianças e jovens com idades de 8 a 17 anos não estão sendo criados num ambiente semelhante ao do tempo da infância dos pais. As crianças de antigamente nem mesmo poderiam imaginar os tipos de pornografia pesada disponível ao alcance do clique de um mouse, nem mesmo prever o comportamento que os adolescentes de hoje em dia têm diante do computador” (p. 32).
O livro é bastante explícito e transcreve, inclusive, diálogos travados entre crianças e predadores sexuais online. Por isso mesmo deve ser lido apenas pelos pais.
Associação de conceitos
Responda rápido: O que as vacas bebem? Você respondeu “leite”? Talvez. E isso acontece porque, quando criança, aprendemos a associar vaca com leite, e os neurônios que codificam as duas palavras aprendem a se ativar ao mesmo tempo.
Segundo Dean Buonomano, doutor em neurociência pela Universidade do Texas, “o cérebro humano pode ser convencido inconscientemente. Ele pode associar conceitos caso seja exposto de forma contínua e prolongada a alguns estímulos. É o que fazem os publicitários com imagens, sons e aromas. Um bom exemplo disso é o tabaco. Poderosas campanhas de marketing no século passado levaram a associar o cigarro a um estilo de vida exclusivo. O resultado foram milhões de mortes, que poderiam ter sido evitadas. Essas associações, de certa forma, tornaram-se um problema social grave.”
Agora leia esta palavra: sexo. Que conceitos e imagens lhe vêm à mente?
O mal da pornografia
A indústria pornográfica é maior do que a Microsoft, Google, Amazon, eBay, Yahoo!, Apple, Netflix e EarthLink juntas. Cerca de 50% dos cristãos e 40% de seus pastores admitem ter problemas com a pornografia. Dois terços dos advogados presentes na reunião de 2003 da Academia Americana de Advogados Matrimoniais disseram que a pornografia virtual estava envolvida na metade dos casos que representaram. Dá para perceber o tamanho do problema?
Regis Nicoll, escritor e membro de um ministério para homens da Igreja Adventista, escreveu: “No local de trabalho, o vício em pornografia resulta na perda da produtividade e na negligência de cumprir os deveres, que podem ter efeitos danosos, talvez até desastrosos. Em casa, resulta paradoxal e tragicamente em desordens íntimas.”
Desordens íntimas? Sim. O blog Mulher 7 x 7, do site da revista Época, divulgou a pesquisa feita pela Universidade de Pádua, na Itália, segundo a qual 70% dos homens jovens que procuravam neurologistas por ter desempenho sexual ruim admitiam o consumo frequente de pornografia na internet. “A perda da libido acontece porque os consumidores de pornografia estão ‘abafando’ a resposta natural do cérebro ao prazer. Anos substituindo os limites naturais da libido por intensa estimulação acabariam prejudicando a resposta ao neurotransmissor dopamina. A dopamina está por trás do desejo, da motivação – e dos vícios. Ela rege nossa busca por recompensas. Uma vez que o prazer está fortemente ligado à pornografia, o sexo real parece não oferecer recompensa.”
Segundo Kimberly-Sayer Giles, “os homens são muito visuais, e ver pornografia produz uma droga [dopamina] que leva à euforia no corpo. Essa droga é a razão pela qual a pornografia se torna viciante. Quando a elevação natural desaparece, o homem se sente deprimido (como acontece com qualquer droga) e tem vontade de passar pelo processo novamente. As mulheres são mais estimuladas por livros de romance do que por sexo. Então, quando elas leem histórias românticas (e nem precisam ter romance tão explícito assim), elas podem experimentar a liberação da mesma substância química viciante”.
William M. Struthers, psicólogo com formação em neurociência e autor do livro Wired for Intimacy: How Pornography Hijacks the Male Brain, afirma que experiências com pornografia e hormônios de prazer criam novos padrões na programação do cérebro, e experiências repetidas formalizam a programação. Não é coincidência o fato de que as demandas de drogas para o desempenho masculino e os aumentos do corpo feminino sigam juntos à explosão da pornografia na internet. Eles perdem interesse pelo normal e elas querem se igualar ao anormal.
Joe S. McIlhaney Jr. e Freda McKissic Bush dizem ainda que “sexo é um dos mais fortes geradores de recompensa pela dopamina. Por essa razão, os jovens são particularmente vulneráveis a cair no ciclo da recompensa dopamínica por comportamento sexual imprudente – eles podem ficar viciados nisso. Mas o efeito benéfico da dopamina para os casais casados está na dependência [vício] deles no sexo um com o outro” (Hooked, p. 35).
A ex-atriz pornô Jennifer Case deixou a indústria do sexo há alguns anos e diz que compreende que só com a ajuda de Deus os homens conseguem sair do vício, assim como foi com a ajuda de Deus que ela deixou essa indústria. “Se você está vendo pornografia ou está viciado em pornografia, você está tentando encher um vazio dentro de você que só Deus pode preencher. Toda vez que você olha pornografia, você está aumentando o vazio, e você destruirá sua vida”, ela adverte.
Case diz ainda que a pornografia é “maligna” e “é uma droga, veneno e mentira”. “Se você pensa que poderá guardá-la no escuro, Deus a tirará para fora, para a luz, para deter você e curar você.”
Segundo C. S. Lewis, existe “um desejo cada vez mais crescente por um prazer cada vez menor”.
Preocupação divina
Nos tempos dela, Ellen White já manifestava sua preocupação com o assunto: “Nos trens, fotografias de mulheres nuas são frequentemente oferecidas à venda. Esses quadros repugnantes são encontrados também em estúdios fotográficos, e são dependurados nas paredes dos que trabalham com gravuras em relevo. É esta uma época em que a corrupção prolifera por toda parte. A concupiscência dos olhos e as paixões corruptas são despertadas pela contemplação e a leitura. [...] A mente tem prazer [dopamina] em contemplar cenas que despertam as paixões baixas, vis. Essas imagens depravadas, vistas por olhos de uma imaginação viciada, corrompem a moral e predispõem os iludidos e obcecados seres humanos a darem rédea solta às paixões libidinosas. Seguem-se então pecados e crimes que arrastam para baixo seres formados à imagem de Deus, nivelando-os aos irracionais, afundando-os afinal na perdição. Evitai ler e ver coisas que sugiram pensamentos impuros. Cultivai as faculdades morais e intelectuais” (Mente, Caráter e Personalidade, v. 1, p. 229).
E ela adverte: “Aqueles que não querem ser presa dos ardis de Satanás devem bem guardar as entradas da alma; devem evitar ler, ver, ou ouvir aquilo que sugira pensamentos impuros. A mente não deve ser deixada a divagar ao acaso em todo o assunto que o adversário das almas possa sugerir” (Mensagens aos Jovens, p. 285).
O “tratamento” recomendado para os viciados em pornografia é o mesmo para pessoas viciadas em álcool, cafeína ou outras drogas: abstinência, substituição e vigilância.
De Deus vem a promessa: “Submetam-se a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês” (Tiago 4:7). “A leitura limpa e sã [substituição] será para o espírito o que é para o corpo o alimento saudável. Haveis de tornar-vos assim mais fortes para resistir à tentação, formar bons hábitos, e proceder segundo os retos princípios” (Ellen G. White, Mente, Caráter e Personalidade, v. 1, p. 107).
Em tempos de reavivamento e reforma, fica a recomendação inspirada: A “primeira obra dos que desejam reformar-se é purificar a imaginação” (Ellen G. White, Mente Caráter e Personalidade, p. 595).
Note: Deus criou a dieta original saudável; o diabo inventou o fast-food. Deus criou a água e as frutas; o diabo, a bebida alcoólica. Deus criou o sexo para o casamento entre um homem e uma mulher; o diabo promove a infidelidade, o adultério mental (Mateus 5:28), o “sexo sem compromisso” e a pornografia. Com todas essas deturpações, o inimigo de Deus causa dor nos seres humanos e, consequentemente, no Criador.
“Nunca derrube uma cerca até você saber por que ela foi colocada”, disse Robert Forst. Se Deus colocou limites à sexualidade humana, é porque tinha e tem uma boa razão para isso.
Histórias tristes
Além dos testemunhos bonitos que tenho recebido por e-mail ao longo dos anos, há também as histórias tristes de pessoas boas sofrendo sob o peso dos vícios. São histórias que mostram que realmente todo cuidado é pouco, quando se trata do policiamento na internet. Por razões óbvias, o nome delas foi omitido:
“Sempre tive um sonho: de me tornar um ministro. Com poucos meses após a maioridade, me tornei ancião da minha igreja e colportor. [...] Com o passar do tempo, deixei de olhar para Cristo. [...] Achei uma oportunidade de ganhar dinheiro fácil e acabei me envolvendo com pornografia. Mas ninguém sabe disso. Ninguém me conhecia e conhece. E cheguei ao estagio de eu mesmo não me conhecer. E isso me entristece, por mim e por elas. Nunca foi meu desejo envergonhar o evangelho ou trazer descrença às pessoas. Na verdade, desde muito novo (12 anos mais ou menos) fui atraído por pornografia; é minha maior fraqueza. [...] Eu quero do fundo do meu coração mudar para não me perder e não estragar futuramente meu casamento. [...] Preciso de sua ajuda.”
“Seu texto me ajudou a admitir que sou viciado [em pornografia] e que preciso de ajuda. Por favor, ore por mim e pela minha infeliz esposa. Seu ministério tem salvado vidas e até mesmo conseguido alcançar um endurecido pastor. Por favor, ore por mim. Não aguento mais essa situação.”
“Peço que você ore por mim. Sou viciado em pornografia. Comecei aos 13 anos vendo um vídeo por semana, e hoje, com 34 anos, vejo pornografia na internet. Sou casado e imagino cenas na hora do sexo, na oração – em plena oração aparecem imagens. É horrível! Estou há apenas dois dias sem ver pornografia. [...] Minha esposa conheceu seu blog através de mim. Com tristeza, devido ao vício, mas com a alegria de saber que Jesus nos transforma, deixo meu abraço.”
“Sou jovem e evangélico há sete anos. Realmente creio em Cristo com toda a minha vida. Tenho desejo de ser um pastor, estudo muito a Bíblia, também procuro sempre ter uma vida de oração intensa, porém, há mais ou menos um ano tenho tido problemas que eu não tinha antes, com masturbação e às vezes com pornografia. Acredite em mim: não sou uma pessoa má, repudio essas coisas, tenho nojo disso, detesto, enfim, nunca gostaria de ter visto essas coisas. Tenho travado batalhas enormes, feito muitos jejuns, ficado semanas sem cair, mas sempre, de repente, algo súbito acontece e novamente caio. Não sei mais o que fazer. Não sou um novo convertido, não sou depravado, mas não sei o que acontece comigo. [...] Estou escrevendo a você porque eu nunca conseguiria tratar disso com alguém pessoalmente. [...] Não consigo me abrir nesse aspecto; acho vergonhoso.”
Não sei quanto a você, mas me dá vontade de chorar quando leio essas histórias tristes de pessoas amadas por Deus, mas escravizadas nas redes do inimigo. No entanto, creio sinceramente que existe libertação em Cristo, afinal, “sejam quais forem nossas tendências herdadas ou cultivadas para o erro, podemos vencer, mediante o poder que Ele nos está disposto a comunicar” (Ellen G. White, A Ciência do Bom Viver, p. 176). É por isso que oro quase todos os dias por essas pessoas – e por mim mesmo. Convido-o a fazer a mesma coisa.
Conselhos divinos
Quero concluir este artigo com alguns conselhos provenientes da Inspiração:
“Não podemos avançar na experiência cristã enquanto não afastarmos de nosso caminho tudo quanto nos separe de Deus” (Ellen G. White, Mensagens aos Jovens, p. 377). Decida agora e não espere para depois: jogue fora todo e qualquer conteúdo (filmes, livros, revistas, músicas) que o estejam afastando de Deus e de uma espiritualidade plena. Se o problema é o computador, tome decisões sérias baseadas nos conselhos expostos neste artigo.
“Cumpre-nos, no que de nós depender, cerrar toda entrada pela qual [Satanás] possa encontrar acesso à alma” (Ellen G. White, O Maior Discurso de Cristo, p. 118). Você precisa exercer seu poder de escolha no sentido de proteger as “janelas da alma” – olhos, ouvidos, pele (tato) e boca.
Davi nos dá um conselho semelhante: “Não porei coisa má diante dos meus olhos” (Salmo 101:3). Mas, e se a tentação surgir de repente, sem que eu tenha me exposto a ela. Aí vem o segundo conselho (na verdade, uma petição) de Davi: “Desvia meus olhos, Senhor, de contemplarem coisas sem valor, e vivifica-me em Teu caminho” (Salmo 119:37). Olhe para outra coisa. E se for uma imagem mental, “mude de canal”. Pense conscientemente em outra coisa. Domine seus pensamentos com a ajuda de Deus.
“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2). Se vivermos apenas conectados nas coisas do “mundo”, nossa mente será formatada (formato) ou conformada (colocada numa forma) sob padrões que nos afastam da espiritualidade. Finalmente, acabaremos perdendo a capacidade de experimentar, discernir a “boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Então, a sequidão espiritual e, finalmente, a morte da alma será a triste consequência.
Antes do ponto final, vamos ler de novo (que tal memorizar?) o conselho de Paulo registrado em Filipenses 4:8? “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.”
Fonte: criacionismo.com.br
Pescadores ou pescados – parte 1
O que há de melhor na internet (e como usar isso)
Há quase dois mil anos, o apóstolo Paulo escreveu: “Mas, quando chegou a plenitude do tempo [kairós, tempo escolhido por Deus], Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher” (Gálatas 4:4, 5). De acordo com os estudiosos, a interpretação adequada de “plenitude dos tempos” é: “tempo certo”, “momento ideal”, “ocasião propícia” designada por Deus. Mas por que Paulo considerava aquele o tempo certo para a vinda do Messias? Por, pelo menos, seis motivos: (1) domínio mundial do Império Romano; (2) povos unificados (hoje chamamos isso de “globalização”); (3) predomínio da cultura greco-romana e de uma língua universal, o grego koiné; (4) paz universal (pax romana) que conferia relativa estabilidade ao Império; (5) importância das cidades (aglomerados e rotas populacionais), que favoreciam o contato com pessoas e ideias; e (6) intercâmbio entre os vários povos (estradas boas e seguras).
Júlio Fontana, em seu artigo “Plenitude dos Tempos, um estudo contextualizado de Gálatas 4:4”, publicado no site Ciberteologia, analisa: “A ausência de guerras contribuiu para o cristianismo, contudo as guerras também influenciaram na prosperidade da nova religião. As conquistas romanas levaram muitos povos à falta de fé em seus deuses, uma vez que eles não foram capazes de protegê-los dos romanos. Os romanos não possuíam uma crença especial e somente adoravam o imperador, ficando os povos conquistados carentes espiritualmente, sendo deixados num vácuo espiritual que não era satisfeito pelas religiões de então.”
“Globalização”, acesso à informação, falta de fé, vazio espiritual. Parece com algum tempo que você conhece?
Nova plenitude dos tempos
A invenção dos modernos meios de comunicação, com destaque para a internet, o desenvolvimento das tecnologias relacionadas à web, bem como a facilidade de disseminação de conteúdos, apontam para uma nova “plenitude dos tempos”. Veja só o que foi criado em anos recentes (adaptado do retrospecto feito por Gregory S. Smith, no livro Como Proteger Seus Filhos na Internet):
Em 7 de fevereiro de 1958, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos criou a ARPA (Agência de Projetos de Pesquisa Avançados), como reação ao lançamento pela União Soviética do primeiro satélite artificial, o Sputnik.
No fim de 1969, quatro computadores de universidades foram interligados em rede pela ARPANET.
Em 1972, Ray Tomlinson escreveu e enviou a primeira mensagem eletrônica, o e-mail (já com o sinal @). Vinte e cinco anos depois, Steve Dorner cria o primeiro programa de e-mail disponibilizado para o público geral. Chamava-se Eudora.
Em 1974, o primeiro microprocessador foi inventado e logo depois surgiria o primeiro computador pessoal da Apple, o Apple II, disponibilizado ao público somente em 1977.
Em 1981, a IBM lançou seu computador pessoal (PC) que caiu nas graças das empresas.
Em novembro de 1985, a Microsoft lançou o sistema operacional Windows 1.0. Nova revolução.
Em 1991, a www foi lançada pelo Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN). Tim Berners-Lee criou a linguagem de formatação de texto (hipertexto), ou HTML, para exibir conteúdos de sites da rede via navegador em operação num computador.
Em 1993, foi lançado o primeiro aplicativo de navegação, o Mosaic. Em seguida, surgiu o Netscape Navigator, que se tornou um sucesso.
Em 1995, a Microsoft entrou na concorrência e lançou o sistema operacional Windows 95, com um aplicativo de navegação acoplado, o Internet Explorer.
Em 1995, a Digital Equipment Corporation apresentou o site de busca Altavista. Hoje o site de busca mais conhecido e usado é o Google.
Em 1998, a Research in Motion lançou o celular Blackberry, com editor de textos e acesso à internet e e-mail (palmtop ou computador de mão).
Nos anos 2000, são popularizados os sites de relacionamento, como o MySpace e, mais recentemente, o Facebook.
Em meados de 2008, o Twitter se torna conhecido do público com o conceito de microblog.
As estradas virtuais ou infovias estão “pavimentadas” e chegam a quase cada canto do planeta.
Aldeia global virtual
Os números contam a história do crescimento da aldeia global criada pela internet. Em 1995, o número de usuários da rede chegava a 45 milhões. Até 2000, esse número já havia alcançado os 420 milhões. Em 2005, a quantidade de usuários da rede ultrapassava a marca de um bilhão. Até o fim de 2011, estima-se que o total de usuários ultrapasse a marca dos dois bilhões. Quase 90% dos jovens com idade entre 12 e 17 anos usam a internet. Haverá cerca de três bilhões de usuários de internet em 2015, que é mais do que 40% da população mundial projetada.
Para se ter uma ideia do tráfego de informações no mundo virtual, deve-se levar em conta que, a cada minuto o Google recebe quase 700 mil consultas; 6.600 imagens são enviadas para o Flickr; 600 vídeos são enviados para o YouTube, totalizando mais de 25 horas de conteúdo; 695 mil atualizações de status, 79.364 postagens no mural e 510 mil comentários são publicados no Facebook; 70 novos domínios são registrados; 168 milhões de e-mails são enviados; 320 novas contas são criadas e cerca de 100 mil tweets são enviados pelo Twitter; aplicativos de iPhone são baixados mais de 13 mil vezes; e 100 contas são criadas na rede de profissionais LinkedIn.
Levando em conta todo esse potencial informativo e evangelístico, resolvi fazer, tempos atrás, uma pesquisa no Twitter. Perguntei aos seguidores do @criacionismo quais eles consideravam os pontos positivos e negativos da internet. Entre as muitas respostas, três me chamaram a atenção: (1) “Ponto positivo da net: facilidade de acesso ao que se procura. Ponto negativo da net: facilidade de acesso ao que se procura”; (2) “Positivo e negativo ao mesmo tempo: a liberdade” e (3) “A internet é uma fonte de informação importantíssima. Não vivo mais sem ela. Só tenho que me policiar.”
Facilidade, liberdade e policiamento foi o que os internautas destacaram.
Isso, de certa forma, me fez lembrar do hobby do meu sogro. Ele é professor aposentado e mora numa comunidade à beira-mar, no município catarinense de Palhoça. Sempre que pode, ele pega a tarrafa (rede de pesca) e a canoa e gasta algumas horas pescando. Existe toda uma técnica para se conseguir fazer a tarrafa abrir no ar, num círculo perfeito, e cair sobre a água adequadamente, a fim de surpreender os peixes que estejam passando por baixo da rede. Nesse caso, o fato de o pescador ter a rede nas mãos e dominar as técnicas de pesca faz com que ele esteja no controle. Os peixes, aparentemente livres nas águas, por não exercerem “policiamento” suficiente e serem praticamente incapazes de enxergar o fio de nylon transparente da rede, acabam sendo apanhados e controlados por ela.
Pense bem: Você é peixe ou pescador? Controla ou é controlado? Como lida com a facilidade de obter conteúdos e com a liberdade oferecidas pela internet? Lembre-se de que, uma vez controlado pela rede (pescado) e içado à superfície, o peixe acaba morrendo por asfixia. Pior é que tem muita gente morrendo asfixiada por não saber se policiar nas águas virtuais...
Manual de segurança
Para uma navegação virtual segura são necessários alguns procedimentos e cuidados. Por exemplo:
1. Mantenha o computador em uma sala de uso comum da casa. Isso evitará que você se sinta “sozinho” e, portanto, livre para acessar certos sites. Isso é policiamento e autoproteção.
2. Fiscalize seu próprio tempo de utilização do equipamento. Estabeleça limites.
3. Evite navegar durante o sábado (cf. Isaías 58:13, 14). Não deixe que a internet atrapalhe as horas de comunhão com Deus e as atividades na igreja. “O sábado não deve ser empregado em [...] ocupações mundanas. Antes do pôr do sol, ponde de parte todo trabalho secular, e fazei desaparecer os jornais profanos” (Ellen G. White, Testemunhos Seletos, v. 3, p. 20-22). Jornais (conteúdos) profanos há aos montes na web.
4. Não forneça sua senha para outras pessoas, conhecidas ou não.
5. Jamais revele informações pessoais como onde você mora, o número de seu telefone e onde é sua escola ou trabalho.
6. Não envie fotografias suas ou de sua família para desconhecidos. Nas redes sociais, mantenha seus álbuns fechados para estranhos.
7. Se for navegar em chats, escolha aqueles que sejam confiáveis.
8. Não prossiga em diálogos que o façam sentir-se desconfortável ou que se tornem muito pessoais.
9. Não marque encontros com alguém que você conheceu pela internet, a menos que tome todos os cuidados para que esse encontro seja seguro.
10. Tenha consciência de que o ser humano domina a máquina e não o contrário.
Desafio urgente
De que maneiras podemos usar a rede em nosso benefício e para o bem do semelhante? Segundo o Global Entertaiment and Media Outlook, a internet será a mídia que mais crescerá, com uma média anual de 13% de avanço. O diretor da Consultoria Gartner, Brian Blau, diz que “a nova geração de consumidores é incansável e tem uma janela curta de atenção, e é preciso muita criatividade para criar impacto significativo”. O desafio é urgente, mas a recomendação não é de hoje: “O Senhor me respondeu e disse: Escreve a visão, grava-a sobre tábuas [tablet], para que a possa ler até quem passa correndo” (Habacuque 2:2). Na Nova Tradução na Linguagem de Hoje, fica assim: “E o Senhor Deus disse: ‘Escreva em tábuas [jornal, folhetos, livros, sites, blogs] a visão que você vai ter, escreva com clareza o que vou lhe mostrar, para que possa ser lido com facilidade’” (Habacuque 2:2, NTLH).
Deus chama atenção para a clareza e facilidade de compreensão. Arthur Schopenhauer, no ótimo livro A Arte de Escrever, pontua: “Não há nada mais fácil do que escrever de tal maneira que ninguém entenda; em compensação, nada mais difícil do que expressar pensamentos significativos de modo que todos os compreendam. [...] o sinal de uma cabeça eminente é resumir muitos pensamentos em poucas palavras” (p. 83, 843).
“Concisão não significa lacônico, mas denso. Opõe-se a vago, impreciso, verborrágico. No estilo denso, cada palavra, cada frase, cada parágrafo devem estar impregnados de sentido” (Dad Squarisi e Arlete Salvador, A Arte de Escrever Bem, p. 39).
Nosso objetivo é atrair “a atenção das pessoas para as verdades vivas da [Palavra de Deus]”, diz Ellen White no livro O Outro Poder, p. 9. E mais: “Nossos periódicos [sites idem] devem sair repletos de verdade que apresente interesse vital e espiritual para o povo. [...] Compete a nossas publicações [página escrita] a mais sagrada obra de tornar clara, compreensível e simples a base espiritual da nossa fé” (O Outro Poder, p. 9; grifos meus).
Clareza, compreensibilidade e simplicidade deveriam ser qualidades do conteúdo de todos os que escrevem para o público. O alvo? Ei-lo: “A escrita [lembre-se de que os meios não impressos também dependem de textos] deve ser usada como meio de semear a semente para a vida eterna” (O Outro Poder, p. 13).
Meios rápidos e novas tecnologias
Há mais de um século, Ellen White escreveu: “Deus dotou os homens de talentos e capacidade inventiva, a fim de que seja efetuada a Sua grande obra em nosso mundo. As invenções da mente humana parecem proceder da humanidade, mas Deus está atrás de tudo isso. Ele fez com que fossem inventados os rápidos meios de comunicação para o grande dia de Sua preparação [plenitude dos tempos]” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 409).
“Deus deseja que sigamos métodos novos, ainda não experimentados”, e “todos quantos estejam relacionados com a obra devem manter ideias novas”, pois “serão descobertos meios que possam alcançar os corações. Alguns dos métodos usados nesta obra serão diferentes dos que foram postos em prática no passado; mas ninguém, por causa disto, feche o caminho pela crítica” (Ellen G. White, Evangelismo, p. 125, 178, 129, 130).
Será que vale a pena?
Mais do que os sites, os blogs representaram a quebra do monopólio da transmissão de informações que caracterizou as mídias anteriores ao advento da internet. Com a utilização da web pelas “pessoas comuns”, conceitos como interatividade e comunicação de mão dupla despontaram com força. O internauta, além de consumir informação, pode também gerar e partilhar conteúdos. O comunicador cristão não pode perder essa oportunidade.
Em 2005, resolvi criar um blog para disseminar, de maneira clara e acessível, conteúdos relacionados com ciência e religião. Depois registrei o domínio www.criacionismo.com.br e passei a usar também o Twitter para chamar atenção para os conteúdos do blog. Valeu a pena? Creio que os muitos contatos que fiz ao longo desses anos com pessoas de diversas denominações religiosas e mesmo ateus e agnósticos são uma evidência de que todo esforço, nesse sentido, é compensador.
Algumas histórias que marcaram esse evangelismo diferenciado e segmentado via internet:
“Apesar de não termos pontos de vista muito uniformes (sou evangélico da Assembleia de Deus), gosto muito de teus textos e comentários. Estudo Física na UFRGS [...] mas não tinha muitos argumentos consistentes para propor numa discussão sobre evolucionismo e criacionismo. Aprendi muito no seu blog.” Jean Gamboa
“Faz um ano que escrevi para você e é com muita alegria que lhe escrevo, hoje, para falar que fui batizada no dia 10/10/2010. Fui muito bem acolhida pela igreja local; encontrei uma família de Deus aqui na Terra [IASD Jd. dos Ipês, São Paulo]. Agradeço imensamente as orações [...] que me ajudaram muito a ter força e coragem para me posicionar ao lado do grande exército do Senhor.” Jane
“Sou biólogo e tenho mestrado em Biotecnologia pela UFSC. [...] Tornei-me adventista no ano passado. [...] As universidades hoje, pelo menos na área biológica, são meras replicadoras do modismo científico. [...] Que você possa continuar fazendo esse trabalho de divulgação do criacionismo e que as pessoas enxerguem que a ciência não é o que está escrito na Veja ou na Superinteressante, e, sim, tudo o que foi criado pelo Pai.” Tiago Moreti, Laboratório de Polimorfismos Genéticos da UFSC
“Nasci em lar adventista, mas há uns quatro ou seis anos, vários acontecimentos ruins na minha vida começaram a levantar dúvidas sobre a igreja e comecei a me tornar cético e descrente. De certa forma, seu blog mudou minha visão novamente. [...] Gosto das matérias relacionadas à política internacional. Sou acadêmico de relações internacionais e isso tem tudo a ver com a minha área.” D.
“Há mais ou menos um ano e meio, eu estava fazendo estudos sobre o Apocalipse na igreja neopentecostal que eu frequentava. [...] Uma das grandes dúvidas era se o livro de Gênesis seria literal ou não. [...] Pesquisando na internet sobre temas bíblicos, principalmente no site YouTube, deparei-me com alguns vídeos de criacionismo [e], através do seu blog, Jesus me mostrou a verdade de Sua Palavra. [...] Em maio de 2010, resolvi visitar pela primeira vez a Igreja Adventista Central de São Bernardo do Campo, já guardando o verdadeiro dia de adoração do verdadeiro Criador, o santo sábado. [...] Fui batizado no dia 9 de outubro de 2010.” Daniel de Oliveira
“Congrego numa Igreja Batista. Ainda assim, durante minha caminhada cristã [...] fui fortemente atacada por dúvidas sobre a confiabilidade bíblica. [...] Ter cursado Ciências (licenciatura) contribuiu para isso. Sou professora em escolas públicas do Rio de Janeiro. [...] Deus tem me socorrido e seu blog tem sido um dos valiosos instrumentos do Senhor.” Michelle Albis
“Sou estudante de Veterinária e adventista desde o nascimento. [...] Comecei minha nova vida de universitário achando que tinha minhas convicções totalmente sólidas [...], mas outros ‘mundos’, outras visões se chocaram com a minha. Conheci um colega de curso que é ateu e passei a conversar muito com ele. [...] Foi nesse momento da minha vida que entendi que seu blog seria uma boa ferramenta para aprimorar meus conhecimentos sobre Deus e a ciência.” Paulo Rógeris
“Já fui católico, mas hoje apenas acredito em Deus e em Jesus Cristo, e não frequento nenhuma igreja. [...] Não conheço o adventismo, mas sinto minha fé fortalecida ao ler suas palavras. [...] Gostaria de conhecer melhor alguns pontos do adventismo, principalmente o criacionismo. [...] A doutrina e os costumes alimentares que vocês possuem também me são interessantes.” Fábio
“Sou evangélico e faço parte da Igreja Congregacional. Também vejo o seu blog diariamente. [...] Tudo o que leio sobre o adventismo é depreciativo e reducionista. [...] Gostaria de pedir que o senhor me indicasse um ou alguns livros que tratassem das principais doutrinas do adventismo. [...] Quero ver a argumentação bíblica, histórica, exegética e tudo isso. Aí, sim, verei se discordo ou não. [...] Pelo que vejo no seu blog, tenho certeza de que temos muito em comum.” Diogo Vilela
“Tenho 25 anos e hoje me veio um sentimento muito bom, lendo as histórias em seu blog. [...] Em 2003, eu estava perdida no homossexualismo; já conhecia a mensagem adventista, mas vivia nesse mundo frio, sendo enganada pelo inimigo. Mantive contato com você e você me escreveu, tirando dúvidas e me aconselhando. Em 2004, fiz um plano com Deus, para que Ele pudesse me livrar do pecado, e tive vitórias até hoje. Em 2006, casei-me com um homem de Deus, uma pessoa extraordinária, que me entende. [...] Hoje nós trabalhamos na igreja.”
Escolher o que tem sentido
No papel de disseminadores de conteúdos, devemos fazê-lo com responsabilidade, respeito e consideração pelos receptores da nossa mensagem. No papel de receptores, devemos manter o foco e buscar sempre aquilo que é útil, edifica e faz sentido, conforme orienta o psicanalista Viktor Frankl: “Vivemos numa sociedade de superabundância; essa superabundância não é somente de bens materiais, mas também de informações, uma explosão de informações. Cada vez mais livros e revistas se empilham sobre as nossas escrivaninhas. Vivemos numa enxurrada de estímulos sensoriais, não somente sexuais. Se o ser humano quiser subsistir ante essa enxurrada de estímulos trazida pelos meios de comunicação de massa, ele precisa saber o que é e o que não é importante, o que é e o que não é essencial, em uma palavra: o que tem sentido e o que não tem” (A Presença Ignorada de Deus, p. 70).
Talvez venha de Filipenses 4:8 o melhor conselho bíblico quanto ao tipo de conteúdo que deve ser colocado na mente: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.”
Fonte: criacionismo.com.br
Há quase dois mil anos, o apóstolo Paulo escreveu: “Mas, quando chegou a plenitude do tempo [kairós, tempo escolhido por Deus], Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher” (Gálatas 4:4, 5). De acordo com os estudiosos, a interpretação adequada de “plenitude dos tempos” é: “tempo certo”, “momento ideal”, “ocasião propícia” designada por Deus. Mas por que Paulo considerava aquele o tempo certo para a vinda do Messias? Por, pelo menos, seis motivos: (1) domínio mundial do Império Romano; (2) povos unificados (hoje chamamos isso de “globalização”); (3) predomínio da cultura greco-romana e de uma língua universal, o grego koiné; (4) paz universal (pax romana) que conferia relativa estabilidade ao Império; (5) importância das cidades (aglomerados e rotas populacionais), que favoreciam o contato com pessoas e ideias; e (6) intercâmbio entre os vários povos (estradas boas e seguras).
Júlio Fontana, em seu artigo “Plenitude dos Tempos, um estudo contextualizado de Gálatas 4:4”, publicado no site Ciberteologia, analisa: “A ausência de guerras contribuiu para o cristianismo, contudo as guerras também influenciaram na prosperidade da nova religião. As conquistas romanas levaram muitos povos à falta de fé em seus deuses, uma vez que eles não foram capazes de protegê-los dos romanos. Os romanos não possuíam uma crença especial e somente adoravam o imperador, ficando os povos conquistados carentes espiritualmente, sendo deixados num vácuo espiritual que não era satisfeito pelas religiões de então.”
“Globalização”, acesso à informação, falta de fé, vazio espiritual. Parece com algum tempo que você conhece?
Nova plenitude dos tempos
A invenção dos modernos meios de comunicação, com destaque para a internet, o desenvolvimento das tecnologias relacionadas à web, bem como a facilidade de disseminação de conteúdos, apontam para uma nova “plenitude dos tempos”. Veja só o que foi criado em anos recentes (adaptado do retrospecto feito por Gregory S. Smith, no livro Como Proteger Seus Filhos na Internet):
Em 7 de fevereiro de 1958, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos criou a ARPA (Agência de Projetos de Pesquisa Avançados), como reação ao lançamento pela União Soviética do primeiro satélite artificial, o Sputnik.
No fim de 1969, quatro computadores de universidades foram interligados em rede pela ARPANET.
Em 1972, Ray Tomlinson escreveu e enviou a primeira mensagem eletrônica, o e-mail (já com o sinal @). Vinte e cinco anos depois, Steve Dorner cria o primeiro programa de e-mail disponibilizado para o público geral. Chamava-se Eudora.
Em 1974, o primeiro microprocessador foi inventado e logo depois surgiria o primeiro computador pessoal da Apple, o Apple II, disponibilizado ao público somente em 1977.
Em 1981, a IBM lançou seu computador pessoal (PC) que caiu nas graças das empresas.
Em novembro de 1985, a Microsoft lançou o sistema operacional Windows 1.0. Nova revolução.
Em 1991, a www foi lançada pelo Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN). Tim Berners-Lee criou a linguagem de formatação de texto (hipertexto), ou HTML, para exibir conteúdos de sites da rede via navegador em operação num computador.
Em 1993, foi lançado o primeiro aplicativo de navegação, o Mosaic. Em seguida, surgiu o Netscape Navigator, que se tornou um sucesso.
Em 1995, a Microsoft entrou na concorrência e lançou o sistema operacional Windows 95, com um aplicativo de navegação acoplado, o Internet Explorer.
Em 1995, a Digital Equipment Corporation apresentou o site de busca Altavista. Hoje o site de busca mais conhecido e usado é o Google.
Em 1998, a Research in Motion lançou o celular Blackberry, com editor de textos e acesso à internet e e-mail (palmtop ou computador de mão).
Nos anos 2000, são popularizados os sites de relacionamento, como o MySpace e, mais recentemente, o Facebook.
Em meados de 2008, o Twitter se torna conhecido do público com o conceito de microblog.
As estradas virtuais ou infovias estão “pavimentadas” e chegam a quase cada canto do planeta.
Aldeia global virtual
Os números contam a história do crescimento da aldeia global criada pela internet. Em 1995, o número de usuários da rede chegava a 45 milhões. Até 2000, esse número já havia alcançado os 420 milhões. Em 2005, a quantidade de usuários da rede ultrapassava a marca de um bilhão. Até o fim de 2011, estima-se que o total de usuários ultrapasse a marca dos dois bilhões. Quase 90% dos jovens com idade entre 12 e 17 anos usam a internet. Haverá cerca de três bilhões de usuários de internet em 2015, que é mais do que 40% da população mundial projetada.
Para se ter uma ideia do tráfego de informações no mundo virtual, deve-se levar em conta que, a cada minuto o Google recebe quase 700 mil consultas; 6.600 imagens são enviadas para o Flickr; 600 vídeos são enviados para o YouTube, totalizando mais de 25 horas de conteúdo; 695 mil atualizações de status, 79.364 postagens no mural e 510 mil comentários são publicados no Facebook; 70 novos domínios são registrados; 168 milhões de e-mails são enviados; 320 novas contas são criadas e cerca de 100 mil tweets são enviados pelo Twitter; aplicativos de iPhone são baixados mais de 13 mil vezes; e 100 contas são criadas na rede de profissionais LinkedIn.
Levando em conta todo esse potencial informativo e evangelístico, resolvi fazer, tempos atrás, uma pesquisa no Twitter. Perguntei aos seguidores do @criacionismo quais eles consideravam os pontos positivos e negativos da internet. Entre as muitas respostas, três me chamaram a atenção: (1) “Ponto positivo da net: facilidade de acesso ao que se procura. Ponto negativo da net: facilidade de acesso ao que se procura”; (2) “Positivo e negativo ao mesmo tempo: a liberdade” e (3) “A internet é uma fonte de informação importantíssima. Não vivo mais sem ela. Só tenho que me policiar.”
Facilidade, liberdade e policiamento foi o que os internautas destacaram.
Isso, de certa forma, me fez lembrar do hobby do meu sogro. Ele é professor aposentado e mora numa comunidade à beira-mar, no município catarinense de Palhoça. Sempre que pode, ele pega a tarrafa (rede de pesca) e a canoa e gasta algumas horas pescando. Existe toda uma técnica para se conseguir fazer a tarrafa abrir no ar, num círculo perfeito, e cair sobre a água adequadamente, a fim de surpreender os peixes que estejam passando por baixo da rede. Nesse caso, o fato de o pescador ter a rede nas mãos e dominar as técnicas de pesca faz com que ele esteja no controle. Os peixes, aparentemente livres nas águas, por não exercerem “policiamento” suficiente e serem praticamente incapazes de enxergar o fio de nylon transparente da rede, acabam sendo apanhados e controlados por ela.
Pense bem: Você é peixe ou pescador? Controla ou é controlado? Como lida com a facilidade de obter conteúdos e com a liberdade oferecidas pela internet? Lembre-se de que, uma vez controlado pela rede (pescado) e içado à superfície, o peixe acaba morrendo por asfixia. Pior é que tem muita gente morrendo asfixiada por não saber se policiar nas águas virtuais...
Manual de segurança
Para uma navegação virtual segura são necessários alguns procedimentos e cuidados. Por exemplo:
1. Mantenha o computador em uma sala de uso comum da casa. Isso evitará que você se sinta “sozinho” e, portanto, livre para acessar certos sites. Isso é policiamento e autoproteção.
2. Fiscalize seu próprio tempo de utilização do equipamento. Estabeleça limites.
3. Evite navegar durante o sábado (cf. Isaías 58:13, 14). Não deixe que a internet atrapalhe as horas de comunhão com Deus e as atividades na igreja. “O sábado não deve ser empregado em [...] ocupações mundanas. Antes do pôr do sol, ponde de parte todo trabalho secular, e fazei desaparecer os jornais profanos” (Ellen G. White, Testemunhos Seletos, v. 3, p. 20-22). Jornais (conteúdos) profanos há aos montes na web.
4. Não forneça sua senha para outras pessoas, conhecidas ou não.
5. Jamais revele informações pessoais como onde você mora, o número de seu telefone e onde é sua escola ou trabalho.
6. Não envie fotografias suas ou de sua família para desconhecidos. Nas redes sociais, mantenha seus álbuns fechados para estranhos.
7. Se for navegar em chats, escolha aqueles que sejam confiáveis.
8. Não prossiga em diálogos que o façam sentir-se desconfortável ou que se tornem muito pessoais.
9. Não marque encontros com alguém que você conheceu pela internet, a menos que tome todos os cuidados para que esse encontro seja seguro.
10. Tenha consciência de que o ser humano domina a máquina e não o contrário.
Desafio urgente
De que maneiras podemos usar a rede em nosso benefício e para o bem do semelhante? Segundo o Global Entertaiment and Media Outlook, a internet será a mídia que mais crescerá, com uma média anual de 13% de avanço. O diretor da Consultoria Gartner, Brian Blau, diz que “a nova geração de consumidores é incansável e tem uma janela curta de atenção, e é preciso muita criatividade para criar impacto significativo”. O desafio é urgente, mas a recomendação não é de hoje: “O Senhor me respondeu e disse: Escreve a visão, grava-a sobre tábuas [tablet], para que a possa ler até quem passa correndo” (Habacuque 2:2). Na Nova Tradução na Linguagem de Hoje, fica assim: “E o Senhor Deus disse: ‘Escreva em tábuas [jornal, folhetos, livros, sites, blogs] a visão que você vai ter, escreva com clareza o que vou lhe mostrar, para que possa ser lido com facilidade’” (Habacuque 2:2, NTLH).
Deus chama atenção para a clareza e facilidade de compreensão. Arthur Schopenhauer, no ótimo livro A Arte de Escrever, pontua: “Não há nada mais fácil do que escrever de tal maneira que ninguém entenda; em compensação, nada mais difícil do que expressar pensamentos significativos de modo que todos os compreendam. [...] o sinal de uma cabeça eminente é resumir muitos pensamentos em poucas palavras” (p. 83, 843).
“Concisão não significa lacônico, mas denso. Opõe-se a vago, impreciso, verborrágico. No estilo denso, cada palavra, cada frase, cada parágrafo devem estar impregnados de sentido” (Dad Squarisi e Arlete Salvador, A Arte de Escrever Bem, p. 39).
Nosso objetivo é atrair “a atenção das pessoas para as verdades vivas da [Palavra de Deus]”, diz Ellen White no livro O Outro Poder, p. 9. E mais: “Nossos periódicos [sites idem] devem sair repletos de verdade que apresente interesse vital e espiritual para o povo. [...] Compete a nossas publicações [página escrita] a mais sagrada obra de tornar clara, compreensível e simples a base espiritual da nossa fé” (O Outro Poder, p. 9; grifos meus).
Clareza, compreensibilidade e simplicidade deveriam ser qualidades do conteúdo de todos os que escrevem para o público. O alvo? Ei-lo: “A escrita [lembre-se de que os meios não impressos também dependem de textos] deve ser usada como meio de semear a semente para a vida eterna” (O Outro Poder, p. 13).
Meios rápidos e novas tecnologias
Há mais de um século, Ellen White escreveu: “Deus dotou os homens de talentos e capacidade inventiva, a fim de que seja efetuada a Sua grande obra em nosso mundo. As invenções da mente humana parecem proceder da humanidade, mas Deus está atrás de tudo isso. Ele fez com que fossem inventados os rápidos meios de comunicação para o grande dia de Sua preparação [plenitude dos tempos]” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 409).
“Deus deseja que sigamos métodos novos, ainda não experimentados”, e “todos quantos estejam relacionados com a obra devem manter ideias novas”, pois “serão descobertos meios que possam alcançar os corações. Alguns dos métodos usados nesta obra serão diferentes dos que foram postos em prática no passado; mas ninguém, por causa disto, feche o caminho pela crítica” (Ellen G. White, Evangelismo, p. 125, 178, 129, 130).
Será que vale a pena?
Mais do que os sites, os blogs representaram a quebra do monopólio da transmissão de informações que caracterizou as mídias anteriores ao advento da internet. Com a utilização da web pelas “pessoas comuns”, conceitos como interatividade e comunicação de mão dupla despontaram com força. O internauta, além de consumir informação, pode também gerar e partilhar conteúdos. O comunicador cristão não pode perder essa oportunidade.
Em 2005, resolvi criar um blog para disseminar, de maneira clara e acessível, conteúdos relacionados com ciência e religião. Depois registrei o domínio www.criacionismo.com.br e passei a usar também o Twitter para chamar atenção para os conteúdos do blog. Valeu a pena? Creio que os muitos contatos que fiz ao longo desses anos com pessoas de diversas denominações religiosas e mesmo ateus e agnósticos são uma evidência de que todo esforço, nesse sentido, é compensador.
Algumas histórias que marcaram esse evangelismo diferenciado e segmentado via internet:
“Apesar de não termos pontos de vista muito uniformes (sou evangélico da Assembleia de Deus), gosto muito de teus textos e comentários. Estudo Física na UFRGS [...] mas não tinha muitos argumentos consistentes para propor numa discussão sobre evolucionismo e criacionismo. Aprendi muito no seu blog.” Jean Gamboa
“Faz um ano que escrevi para você e é com muita alegria que lhe escrevo, hoje, para falar que fui batizada no dia 10/10/2010. Fui muito bem acolhida pela igreja local; encontrei uma família de Deus aqui na Terra [IASD Jd. dos Ipês, São Paulo]. Agradeço imensamente as orações [...] que me ajudaram muito a ter força e coragem para me posicionar ao lado do grande exército do Senhor.” Jane
“Sou biólogo e tenho mestrado em Biotecnologia pela UFSC. [...] Tornei-me adventista no ano passado. [...] As universidades hoje, pelo menos na área biológica, são meras replicadoras do modismo científico. [...] Que você possa continuar fazendo esse trabalho de divulgação do criacionismo e que as pessoas enxerguem que a ciência não é o que está escrito na Veja ou na Superinteressante, e, sim, tudo o que foi criado pelo Pai.” Tiago Moreti, Laboratório de Polimorfismos Genéticos da UFSC
“Nasci em lar adventista, mas há uns quatro ou seis anos, vários acontecimentos ruins na minha vida começaram a levantar dúvidas sobre a igreja e comecei a me tornar cético e descrente. De certa forma, seu blog mudou minha visão novamente. [...] Gosto das matérias relacionadas à política internacional. Sou acadêmico de relações internacionais e isso tem tudo a ver com a minha área.” D.
“Há mais ou menos um ano e meio, eu estava fazendo estudos sobre o Apocalipse na igreja neopentecostal que eu frequentava. [...] Uma das grandes dúvidas era se o livro de Gênesis seria literal ou não. [...] Pesquisando na internet sobre temas bíblicos, principalmente no site YouTube, deparei-me com alguns vídeos de criacionismo [e], através do seu blog, Jesus me mostrou a verdade de Sua Palavra. [...] Em maio de 2010, resolvi visitar pela primeira vez a Igreja Adventista Central de São Bernardo do Campo, já guardando o verdadeiro dia de adoração do verdadeiro Criador, o santo sábado. [...] Fui batizado no dia 9 de outubro de 2010.” Daniel de Oliveira
“Congrego numa Igreja Batista. Ainda assim, durante minha caminhada cristã [...] fui fortemente atacada por dúvidas sobre a confiabilidade bíblica. [...] Ter cursado Ciências (licenciatura) contribuiu para isso. Sou professora em escolas públicas do Rio de Janeiro. [...] Deus tem me socorrido e seu blog tem sido um dos valiosos instrumentos do Senhor.” Michelle Albis
“Sou estudante de Veterinária e adventista desde o nascimento. [...] Comecei minha nova vida de universitário achando que tinha minhas convicções totalmente sólidas [...], mas outros ‘mundos’, outras visões se chocaram com a minha. Conheci um colega de curso que é ateu e passei a conversar muito com ele. [...] Foi nesse momento da minha vida que entendi que seu blog seria uma boa ferramenta para aprimorar meus conhecimentos sobre Deus e a ciência.” Paulo Rógeris
“Já fui católico, mas hoje apenas acredito em Deus e em Jesus Cristo, e não frequento nenhuma igreja. [...] Não conheço o adventismo, mas sinto minha fé fortalecida ao ler suas palavras. [...] Gostaria de conhecer melhor alguns pontos do adventismo, principalmente o criacionismo. [...] A doutrina e os costumes alimentares que vocês possuem também me são interessantes.” Fábio
“Sou evangélico e faço parte da Igreja Congregacional. Também vejo o seu blog diariamente. [...] Tudo o que leio sobre o adventismo é depreciativo e reducionista. [...] Gostaria de pedir que o senhor me indicasse um ou alguns livros que tratassem das principais doutrinas do adventismo. [...] Quero ver a argumentação bíblica, histórica, exegética e tudo isso. Aí, sim, verei se discordo ou não. [...] Pelo que vejo no seu blog, tenho certeza de que temos muito em comum.” Diogo Vilela
“Tenho 25 anos e hoje me veio um sentimento muito bom, lendo as histórias em seu blog. [...] Em 2003, eu estava perdida no homossexualismo; já conhecia a mensagem adventista, mas vivia nesse mundo frio, sendo enganada pelo inimigo. Mantive contato com você e você me escreveu, tirando dúvidas e me aconselhando. Em 2004, fiz um plano com Deus, para que Ele pudesse me livrar do pecado, e tive vitórias até hoje. Em 2006, casei-me com um homem de Deus, uma pessoa extraordinária, que me entende. [...] Hoje nós trabalhamos na igreja.”
Escolher o que tem sentido
No papel de disseminadores de conteúdos, devemos fazê-lo com responsabilidade, respeito e consideração pelos receptores da nossa mensagem. No papel de receptores, devemos manter o foco e buscar sempre aquilo que é útil, edifica e faz sentido, conforme orienta o psicanalista Viktor Frankl: “Vivemos numa sociedade de superabundância; essa superabundância não é somente de bens materiais, mas também de informações, uma explosão de informações. Cada vez mais livros e revistas se empilham sobre as nossas escrivaninhas. Vivemos numa enxurrada de estímulos sensoriais, não somente sexuais. Se o ser humano quiser subsistir ante essa enxurrada de estímulos trazida pelos meios de comunicação de massa, ele precisa saber o que é e o que não é importante, o que é e o que não é essencial, em uma palavra: o que tem sentido e o que não tem” (A Presença Ignorada de Deus, p. 70).
Talvez venha de Filipenses 4:8 o melhor conselho bíblico quanto ao tipo de conteúdo que deve ser colocado na mente: “Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.”
Fonte: criacionismo.com.br
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Igreja e Estado: porque não podem ser amigos?
"O Papa Bento XVI fez dos perigos da laicidade um tema importante do seu pontificado. E é uma batalha que ambos os lados levam a sério.
Por um lado, o papa adverte que sociedades sem as amarras dos valores cristãos estarão perdidas no mar, inconscientes ou indiferentes à verdade que ancora a humanidade na justiça, paz, respeito e solidariedade.
Do outro lado estão grupos e indivíduos que se agarram tão firmemente ao princípio democrático da separação da Igreja e do Estado, que não querem que qualquer voz ligada à religião seja solta na praça pública.
Em muitos países ocidentais, especialmente europeus, quando um líder de igreja fala sobre a dimensão ética de qualquer questão, “ele é imediatamente atacado como estando interferindo", disse um oficial do Pontifício Conselho para a Cultura.
"A sua democracia torna-se muito seletiva" e intolerante quando a todo um setor da comunidade – as pessoas de fé – é negada a liberdade de expressão na esfera pública, disse o padre Teodoro Mascarenhas, membro da Sociedade dos Missionários de São Francisco Xavier.
A separação entre Igreja e Estado, que é uma marca de uma democracia, "também tem infelizmente caído para a separação de Deus e da vida”, em que as crenças religiosas e os valores devem ser deixados fora não apenas do processo de decisão pública, mas também fora das próprias vidas pessoais, disse ele.
O Padre Mascarenhas, um professor e biblista, disse à Catholic News Service que a Europa, como visto nos seus frequentes debates sobre a possibilidade de permitir que as mulheres usam véus, ou sobre os crucifixos nas paredes das escolas, deve ter cuidado para não cair numa espécie de "talibanização".
"Os Talibans retiraram todos os símbolos religiosos das minorias, num esforço de limpeza", enquanto impunham a todos o seu sistema de crenças, ele disse. Limpar a Europa dos seus símbolos culturais e religiosos é "uma expressão de fundamentalismo de uma forma muito subtil".
Enquanto isso, em partes de África, Médio Oriente e Ásia, há um medo genuíno que grupos religiosos ou partidos tenham o controle político e promulguem políticas repressivas contra grupos minoritários.
Um tema-chave, na verdade, em discussão no Sínodo Especial de Bispos para o Médio Oriente de 2010, foi como promover a "laicidade positiva", uma forma de separação de governo e religião, que ainda permite que a fé das pessoas tenha um papel na sociedade, sem consagrar uma religião como a religião do Estado.
A igreja apoia uma forma de separação da Igreja e do Estado que assegura às religiões ter uma voz na sociedade e que as leis refletem os valores morais - incluindo as leis que tratam da vida e do casamento.
No entanto, quando a religião se torna a fonte primária das leis de um país e autoridades religiosas têm poder civil, os membros de comunidades minoritárias acabam sendo vistos e tratados como cidadãos de segunda classe, disse o atual patriarca maronita, o arcebispo Bechara Rai de Beirute aos jornalistas durante o Sínodo.
Estas preocupações mostram que há dois entendimentos muito diferentes da laicidade, disse o Padre Mascarenhas.
No Ocidente, a laicidade é entendida como o problema de Deus sendo impingido fora da esfera pública; mas para o Oriente, é um estado positivo de tratamento no qual os governos mostram respeitar e proteger todas as religiões, deixando que elas tenham uma voz e não tratando ninguém melhor que os outros, disse ele.
O sacerdote indiano disse que um exemplo de como este respeito mútuo entre religião e governo funciona, foi quando o governo indiano pediu aos bispos indianos para assistirem ao filme "O Código Da Vinci" e dizer-lhes se achavam que o filme deveria ser proibido, pois é contra a lei de ofender qualquer religião. Os bispos não acharam o filme ofensivo e permitiram que ele fosse lançado nos cinemas, disse ele.
"A real separação da Igreja e do Estado será aquela em que a igreja pode expressar-se livremente e pedir os seus seguidores para aderirem aos princípios que ela estima", disse o Padre Mascarenhas.
Mesmo que possa haver movimentos tentando opor-se tal liberdade, Índia, Indonésia, Sri Lanka, Filipinas e Timor Leste são exemplos de países cujas constituições protegem o direito de todas as religiões de expressarem as suas crenças na esfera pública, disse ele.
"A Ásia é bastante variada, mas é uma cultura de Deus", disse ele. "Há uma mentalidade que não pode excluir Deus."
Mesmo quando os movimentos comunistas em Mianmar, Vietname e China têm tentado erradicar a religião, eles nunca foram completamente bem sucedidos, disse ele.
"É por isso que na China eles tiveram de criar uma Igreja Católica Patriótica", disse ele. Uma vez que os comunistas não puderam afastar Deus, eles tentaram controlar a Igreja.
O Ocidente, em vez disso, viu um decréscimo brutal de espiritualidade num mundo material.
"Quando a Revolução Industrial ocorreu, escorregamos, talvez porque não tínhamos a estratégia de combate à racionalização extrema", disse ele.
"O Iluminismo realmente trouxe a escuridão, porque se esqueceu de que um coração não pode descansar, a menos que repouse em Deus", disse ele.
As pessoas estão sedentas de Deus, ele disse, e "eu acho engraçado que os europeus se voltem para religiões indianas, quando o cristianismo pode proporcionar quase tudo", disse ele.
"Mostre-me uma situação humana que não é refletida no Evangelho", disse ele. Não são apenas os desafios humanos de morte, dúvida, medo e perseguição detalhados na Bíblia, mas ela também explicita as soluções.
"A resposta para a morte é a ressurreição, e a resposta para a dúvida e a angústia como Jesus sentiu no jardim do Getsêmani é dar-se mais à vontade de Deus", disse ele.
"Mesmo a crise financeira tem sua resposta na Bíblia: é uma questão da gratificação. Se aqueles que têm meios suficientes se lembrassem de Mateus 25 e do Juízo Final onde será solicitado ‘o que fizeste ou deixaste de fazer por aqueles que precisam ?’, o mundo seria um lugar diferente e a crise não existiria", disse ele."
(Fim)
Nota minha: ora aqui está uma insidiosa e mal disfarçada proposta de tratado que sugere a subtil imposição dos valores católicos nas sociedade que outrora, num passado já longínquo, permitiram isso.
É curioso que é feita referência à Europa (antigamente, perfeitamente lacaia das ordens romanas) e à Ásia, mas não aos Estados Unidos da América, esse baluarte de liberdade religiosa cujo conceito de separação entre Igreja e Estado sempre foi um dos fundamentos da mais avançada e grandiosa nação do mundo moderno.
Contudo, algo fica perfeitamente claro:
"(...) Esta é a religião que os protestantes estão começando a encarar com tanto agrado e que finalmente se unirá com o protestantismo. Esta união não será, porém, efetuada por uma mudança no catolicismo, pois Roma não muda (...)" (Ellen White, Review and Herald, 1 de junho de 1886).
É esta estratégia para a qual muitos insistem em ficar negligentes: a Igreja de Roma segue paulatinamente executando a sua agenda de retorno ao poderio medieval, não se deixando abater por mais de 200 anos de uma ferida que entretanto tem sido curada.
A título de exemplo, veja a ideia apresentada de "laicidade positiva, uma forma de separação de governo e religião, que ainda permite que a fé das pessoas tenha um papel na sociedade, sem consagrar uma religião como a religião do Estado ". Eu leio esta proposta da seguinte forma: não importa que os nossos valores não estejam oficialmente consagrados na letra da lei: logo que, na prática, eles sejam observados e a sua negligência devidamente punida iremos conseguindo o nosso propósito.
No meio disto tudo, também ficarei atento ao invocado exemplo dos Taliban: "retiraram todos os símbolos religiosos das minorias, (...) enquanto impunham a todos o seu sistema de crenças". Logo veremos quem mais usará deste método...
Fonte: otempofinal.blogspot.com
Por um lado, o papa adverte que sociedades sem as amarras dos valores cristãos estarão perdidas no mar, inconscientes ou indiferentes à verdade que ancora a humanidade na justiça, paz, respeito e solidariedade.
Do outro lado estão grupos e indivíduos que se agarram tão firmemente ao princípio democrático da separação da Igreja e do Estado, que não querem que qualquer voz ligada à religião seja solta na praça pública.
Em muitos países ocidentais, especialmente europeus, quando um líder de igreja fala sobre a dimensão ética de qualquer questão, “ele é imediatamente atacado como estando interferindo", disse um oficial do Pontifício Conselho para a Cultura.
"A sua democracia torna-se muito seletiva" e intolerante quando a todo um setor da comunidade – as pessoas de fé – é negada a liberdade de expressão na esfera pública, disse o padre Teodoro Mascarenhas, membro da Sociedade dos Missionários de São Francisco Xavier.
A separação entre Igreja e Estado, que é uma marca de uma democracia, "também tem infelizmente caído para a separação de Deus e da vida”, em que as crenças religiosas e os valores devem ser deixados fora não apenas do processo de decisão pública, mas também fora das próprias vidas pessoais, disse ele.
O Padre Mascarenhas, um professor e biblista, disse à Catholic News Service que a Europa, como visto nos seus frequentes debates sobre a possibilidade de permitir que as mulheres usam véus, ou sobre os crucifixos nas paredes das escolas, deve ter cuidado para não cair numa espécie de "talibanização".
"Os Talibans retiraram todos os símbolos religiosos das minorias, num esforço de limpeza", enquanto impunham a todos o seu sistema de crenças, ele disse. Limpar a Europa dos seus símbolos culturais e religiosos é "uma expressão de fundamentalismo de uma forma muito subtil".
Enquanto isso, em partes de África, Médio Oriente e Ásia, há um medo genuíno que grupos religiosos ou partidos tenham o controle político e promulguem políticas repressivas contra grupos minoritários.
Um tema-chave, na verdade, em discussão no Sínodo Especial de Bispos para o Médio Oriente de 2010, foi como promover a "laicidade positiva", uma forma de separação de governo e religião, que ainda permite que a fé das pessoas tenha um papel na sociedade, sem consagrar uma religião como a religião do Estado.
A igreja apoia uma forma de separação da Igreja e do Estado que assegura às religiões ter uma voz na sociedade e que as leis refletem os valores morais - incluindo as leis que tratam da vida e do casamento.
No entanto, quando a religião se torna a fonte primária das leis de um país e autoridades religiosas têm poder civil, os membros de comunidades minoritárias acabam sendo vistos e tratados como cidadãos de segunda classe, disse o atual patriarca maronita, o arcebispo Bechara Rai de Beirute aos jornalistas durante o Sínodo.
Estas preocupações mostram que há dois entendimentos muito diferentes da laicidade, disse o Padre Mascarenhas.
No Ocidente, a laicidade é entendida como o problema de Deus sendo impingido fora da esfera pública; mas para o Oriente, é um estado positivo de tratamento no qual os governos mostram respeitar e proteger todas as religiões, deixando que elas tenham uma voz e não tratando ninguém melhor que os outros, disse ele.
O sacerdote indiano disse que um exemplo de como este respeito mútuo entre religião e governo funciona, foi quando o governo indiano pediu aos bispos indianos para assistirem ao filme "O Código Da Vinci" e dizer-lhes se achavam que o filme deveria ser proibido, pois é contra a lei de ofender qualquer religião. Os bispos não acharam o filme ofensivo e permitiram que ele fosse lançado nos cinemas, disse ele.
"A real separação da Igreja e do Estado será aquela em que a igreja pode expressar-se livremente e pedir os seus seguidores para aderirem aos princípios que ela estima", disse o Padre Mascarenhas.
Mesmo que possa haver movimentos tentando opor-se tal liberdade, Índia, Indonésia, Sri Lanka, Filipinas e Timor Leste são exemplos de países cujas constituições protegem o direito de todas as religiões de expressarem as suas crenças na esfera pública, disse ele.
"A Ásia é bastante variada, mas é uma cultura de Deus", disse ele. "Há uma mentalidade que não pode excluir Deus."
Mesmo quando os movimentos comunistas em Mianmar, Vietname e China têm tentado erradicar a religião, eles nunca foram completamente bem sucedidos, disse ele.
"É por isso que na China eles tiveram de criar uma Igreja Católica Patriótica", disse ele. Uma vez que os comunistas não puderam afastar Deus, eles tentaram controlar a Igreja.
O Ocidente, em vez disso, viu um decréscimo brutal de espiritualidade num mundo material.
"Quando a Revolução Industrial ocorreu, escorregamos, talvez porque não tínhamos a estratégia de combate à racionalização extrema", disse ele.
"O Iluminismo realmente trouxe a escuridão, porque se esqueceu de que um coração não pode descansar, a menos que repouse em Deus", disse ele.
As pessoas estão sedentas de Deus, ele disse, e "eu acho engraçado que os europeus se voltem para religiões indianas, quando o cristianismo pode proporcionar quase tudo", disse ele.
"Mostre-me uma situação humana que não é refletida no Evangelho", disse ele. Não são apenas os desafios humanos de morte, dúvida, medo e perseguição detalhados na Bíblia, mas ela também explicita as soluções.
"A resposta para a morte é a ressurreição, e a resposta para a dúvida e a angústia como Jesus sentiu no jardim do Getsêmani é dar-se mais à vontade de Deus", disse ele.
"Mesmo a crise financeira tem sua resposta na Bíblia: é uma questão da gratificação. Se aqueles que têm meios suficientes se lembrassem de Mateus 25 e do Juízo Final onde será solicitado ‘o que fizeste ou deixaste de fazer por aqueles que precisam ?’, o mundo seria um lugar diferente e a crise não existiria", disse ele."
(Fim)
Nota minha: ora aqui está uma insidiosa e mal disfarçada proposta de tratado que sugere a subtil imposição dos valores católicos nas sociedade que outrora, num passado já longínquo, permitiram isso.
É curioso que é feita referência à Europa (antigamente, perfeitamente lacaia das ordens romanas) e à Ásia, mas não aos Estados Unidos da América, esse baluarte de liberdade religiosa cujo conceito de separação entre Igreja e Estado sempre foi um dos fundamentos da mais avançada e grandiosa nação do mundo moderno.
Contudo, algo fica perfeitamente claro:
"(...) Esta é a religião que os protestantes estão começando a encarar com tanto agrado e que finalmente se unirá com o protestantismo. Esta união não será, porém, efetuada por uma mudança no catolicismo, pois Roma não muda (...)" (Ellen White, Review and Herald, 1 de junho de 1886).
É esta estratégia para a qual muitos insistem em ficar negligentes: a Igreja de Roma segue paulatinamente executando a sua agenda de retorno ao poderio medieval, não se deixando abater por mais de 200 anos de uma ferida que entretanto tem sido curada.
A título de exemplo, veja a ideia apresentada de "laicidade positiva, uma forma de separação de governo e religião, que ainda permite que a fé das pessoas tenha um papel na sociedade, sem consagrar uma religião como a religião do Estado ". Eu leio esta proposta da seguinte forma: não importa que os nossos valores não estejam oficialmente consagrados na letra da lei: logo que, na prática, eles sejam observados e a sua negligência devidamente punida iremos conseguindo o nosso propósito.
No meio disto tudo, também ficarei atento ao invocado exemplo dos Taliban: "retiraram todos os símbolos religiosos das minorias, (...) enquanto impunham a todos o seu sistema de crenças". Logo veremos quem mais usará deste método...
Fonte: otempofinal.blogspot.com
Manuscritos do Mar Morto disponíveis online
"Os antigos Manuscritos bíblicos, originários de uma época anterior ao nascimento de Cristo, foram digitalizados e colocados na Internet. Maior conhecimento da antiguidade está agora disponível à distância de um clique.
Os Manuscritos do Mar Morto, documentos bíblicos datados entre os séculos III a.C. e I d.C., foram agora digitalizados e colocados na Internet, através de uma iniciativa conjunta levada a cabo pelo Google e o Museu de Israel, localizado em Jerusalém.
Os documentos históricos foram descobertos entre 1947 e 1956 em Qumran, perto do Mar Morto, e a sua origem é atribuída aos essénios, uma seita judaica que viveu na região há mais de dois mil anos. Entre as centenas de elementos recuperados, encontra-se aquele que é considerado um dos mais antigos documentos bíblicos de que se tem conhecimento, o manuscrito de Isaías.
Entre os cinco pergaminhos disponíveis online, no projeto digital dos Manuscritos do Mar Morto, encontram-se ainda o manuscrito do templo, o manuscrito da guerra, o manuscrito das regras da comunidade e o manuscrito de Habacuc.
A importância histórica dos Manuscritos do Mar Morto faz com que a digitalização destes documentos bíblicos ganhe ainda mais relevância. De acordo com Adolfo D. Roitman, curador no Museu de Israel, "é o tesouro cultural mais importante da nação judaica. Dois mil anos depois, graças à tecnologia, estes documentos estão online".
"Uma das missões do Google é organizar a informação do mundo e torná-la universalmente acessível e útil", continua Yossi Matias, responsável pelo Centro de Investigação e Desenvolvimento do Google em Israel.
As imagens de alta resolução dos manuscritos, cada uma com 1200 megapixéis, são acompanhadas por textos informativos relativos a cada um dos cinco documentos. No caso do manuscrito de Isaías, está também disponível uma tradução em inglês e este pode ser consultado por coluna, capítulo e versículo."
Fonte: Expresso
Deputados mexicanos pedem casamentos com validade de dois anos
"Os deputados de esquerda da Assembleia de Representantes da capital mexicana apresentaram hoje uma proposta para que os casamentos tenham uma vigência de dois anos, com opção de dissolução do vínculo ou renovação de forma indefinida.
A iniciativa dos deputados Lizbeth Rosas e Leonel Luna, do Partido da Revolução Democrática (PRD), defende que os cônjuges possam separar-se «sem procedimentos demorados que prejudiquem as famílias», nos casos em que o casal assim o decida nos primeiros dois anos.
O objetivo final é o de acelerar e simplificar o processo de divórcio na capital, que por ano trata uma média de 10 mil casos.
Fonte: Diário Digital
Gianecchini busca ajuda para cura de câncer no espiritismo
O ator Reynaldo Gianecchini descobriu que esta com câncer no ínicio de agosto, um linfoma do tipo não-Hodgkin (tumor que atinge os gânglios linfáticos) e um mês depois começou a buscar ajudas ‘espirituais’ para o auxiliar na luta em busca pela cura da doença.
“Ela me disse: ‘Estou aqui sempre para poder assistir o meu sobrinho querido (…) Ela estava de roupa azul, aparentava ter 60 anos, estava maravilhosa” conta a médium Márcia Fernandes, ao afirmar que estabeleceu contato com Eni Gianecchini – tia-avó do ator, morta em dezembro de 2009 – a qual segundo ela, tem o protegido, trazendo energias de cura par ao sobrinho.
“A tia dele está com médicos astrais que trabalham com energia cósmica. Ele tem fé, tem o tempo a favor dele e os melhores doutores, na terra e no plano espiritual”, completa Márcia.
Reynaldo Gianecchini e seu pai que também luta contra um câncer, fazem um acompanhamento com estes tais médico astrais citados por Márcia, no Instituto de Medicina do Além (IMA), em Franca, a aproximadamente 410 km de São Paulo. Quem os atende é o médium João Berbel, que tem uma fama de cura das cirurgias espirituais que realiza, e que afirma faze-las a fim de mostrar as profecias de Jesus.
“A gente não anda preocupado em fazer propaganda, a intenção é mostrar as profecias de Jesus, que a Terra da regeneração já chegou, e muitos aflitos vem aqui em busca dos nossos trabalhos gratuitos, que só são possíveis graças a rifas, doações de materiais e à renda dos livros”, diz Berbel se referindo a procura da mídia após ter começado a “tratar” Gianecchini.
Fonte: Gospel +
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Antes de Clamarem
Antes de clamarem, Eu responderei; ainda não estarão falando, e Eu os ouvirei. Isaías 65:24
Helen Rosenweare, que foi médica missionária no antigo Congo Belga, conta uma experiência que comprova a promessa do texto de hoje. Ela a intitula “A Bolsa e a Boneca”. Veja que interessante relato:
Certa noite eu estava fazendo de tudo para ajudar uma mãe em trabalho de parto. Apesar do esforço, ela não resistiu e nos deixou com um bebê prematuro e uma filha de dois anos em prantos. Era muito complicado manter o bebê vivo sem uma incubadora (não tínhamos eletricidade para ativar uma incubadora). Também não tínhamos recursos adequados de alimentação. Mesmo morando na linha do Equador, as noites eram frias como aragens traiçoeiras.
Uma das aprendizes de parteira foi buscar a caixa que reservávamos para bebês nessa situação e os panos de algodão para envolvê-los. Uma outra foi alimentar o fogo para aquecer uma chaleira de água para a bolsa de água quente. Sem demora, voltou desconsolada, pois a bolsa havia se rompido. Borracha estraga fácil em clima tropical. “Era nossa última bolsa de água quente”, ela me disse.
Assim como no Ocidente se diz que “não adianta chorar sobre o leite derramado”, na África Central se diria que “não adianta chorar sobre bolsas de água quente estragadas”. Elas não crescem em árvores, e não existem farmácias no meio das florestas.
“Muito bem”, disse eu, “coloquem o bebê em segurança tão próximo quanto possível do fogo e durmam entre a porta e o bebê para protegê-lo das lufadas de vento frio. Mantenham o bebê aquecido.”
Na tarde seguinte, fui orar com as órfãs que vez ou outra queriam reunir-se comigo. Fiz uma série de sugestões que pudessem incentivá-las a orar e, também, contei-lhes sobre o bebê. Expliquei a dificuldade em manter o bebê aquecido já que a única bolsa de água havia estourado, e que o bebê poderia morrer se passasse frio. Mencionei a irmãzinha de dois anos que não parava de chorar e sentia a perda e a ausência da mãe.
Durante as orações, uma das meninas africanas de 10 anos orou: “Por favor, Deus, manda-nos a bolsa de água quente. Amanhã talvez será tarde, porque o bebê pode não aguentar. Por isso, manda a bolsa de água quente ainda hoje.”
Enquanto eu ainda procurava recuperar o ar diante de tamanha ousadia, a menina acrescentou: “E, Senhor, já que estás cuidando disso, por favor, manda junto uma boneca para a irmãzinha do bebê, para que ela saiba que também a amas de verdade.”
Será que havia meios de Deus atender a essa oração? Amanhã você saberá a segunda parte desta história.
Audio Livro "A Grande Esperança"
Esse livro é parte de uma grande campanha desenvolvida nos últimos anos em favor da esperança. É uma seleção de 11 capítulos curtos, simples, mas provocativos. Discutem algumas das questões que mais interessam a todos nós, como: o porquê do sofrimento, a verdadeira paz, a vida após a morte e a vitória final do amor de Deus. A boa notícia é que há uma luz no fim. E essa luz está chegando até nós, para iluminar o nosso caminho.
Caso você prefira ler este livro, acesse A Grande Esperança
Caso você prefira ler este livro, acesse A Grande Esperança
domingo, 25 de setembro de 2011
Terremotos, princípio das dores, fim ou começo?
Encontramos na palavra de Deus 15 vezes a palavra terremoto e mais quatro vezes a palavra no seu plural, terremotos. Essa palavra por si só já nos assusta não é mesmo? O aumento do número e da intensidade dos terremotos nos últimos anos deveria servir para sacudir também o íntimo dos seres humanos, para que se libertassem ainda em tempo de sua inércia espiritual. Estima-se que ocorram a cada ano cerca de 500 mil tremores em todo o globo, havendo quem fale até de um milhão de sismos, dos quais 100 mil são percebidos pelas pessoas com seus próprios sentidos e pelo menos mil causam danos. No Japão já se registrou, em um único fim de semana, uma cadeia de mais de 200 terremotos de intensidade leve e moderada.
Conquanto muitos japoneses considerem isso como uma característica “normal” de seu país, todos esses sismos e também a movimentação dos 86 vulcões ativos do país são na verdade prenúncios de uma catástrofe gigantesca, a qual, ao contrário do que até mesmo pessoas sérias e realistas imaginam, não está reservada a um futuro longínquo. Essa situação de grande insegurança já fora prevista há milênios para toda a humanidade. São considerados grandes terremotos aqueles de magnitude igual ou superior a 6 na escala utilizada. O terremoto de Kobe, no Japão, ocorrido em 17 de janeiro de 1995 e que foi considerado “o pior dos últimos 70 anos”, apresentou uma magnitude de 7,2 graus na escala Richter. Em todo o século XIX, ocorreram 41 grandes terremotos, acarretando pouco mais de 350 mil mortes. No século XX, até maio de 1997, já haviam ocorrido 96 grandes terremotos, que provocaram a morte de mais de 2 milhões e 150 mil pessoas. Quando se analisam os terremotos nos últimos dois mil anos, percebe-se claramente que até o século XVI ocorreram poucos ou quase nada de terremotos.
Foi a partir do século XVIII que a coisa aumentou consideravelmente, nos séculos XIX, XX e agora no XXI aconteceu uma explosão de terremotos em várias partes do mundo, fazendo cumprir na íntegra a profecia de Jesus referente a proximidade de Sua volta a este mundo. Realmente, estamos no tempo do fim. Mateus 24:7. Além da frequência aumentada, verifica-se também um crescimento da intensidade dos terremotos, alguns deles tornando-se até momentaneamente famosos em razão da destruição e do número de mortes, como os da Guatemala (um milhão de desabrigados) e da China (750 mil mortos) em 1976, o do México em 1985 e o do Japão em 1995.
Infelizmente, também essas grandes catástrofes acabam sendo esquecidas após um tempo maior ou menor, transformando-se em meras curiosidades históricas. Jesus disse:
“E haverá sinais no sol e na lua e nas estrelas; e na terra angústia das naçöes, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas. Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto as virtudes do céu serão abaladas. E então verão vir o Filho do homem numa nuvem, com poder e grande glória. Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima. E disse-lhes uma parábola: Olhai para a figueira, e para todas as árvores; Quando já têm rebentado, vós sabeis por vós mesmos, vendo-as, que perto está já o verão. Assim também vós, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o reino de Deus está perto. Em verdade vos digo que não passará esta geração até que tudo aconteça. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão de passar. E olhai por vós, não aconteça que os vossos coraçöes se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia. Porque virá como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a terra. Lucas 21:25 a 35”.É momento de fazer uma profunda reflexão sobre tudo que está acontecendo em nosso planeta, todavia, uma maior reflexão deve ser feita na vida espiritual de cada um. Se Jesus viesse hoje, você estaria preparado?
Extraído de www.profecias.com.br
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